O Senado do Paraguai aprovou por unanimidade, nesta sexta-feira (6), o impeachment do presidente Santiago Peña, em meio ao escândalo envolvendo o fechamento do banco digital Ueno. Os 44 senadores presentes na sessão votaram pela destituição, segundo o g1. Para afastar o presidente, eram necessários dois terços da Casa, ou seja, ao menos 30 dos 45 votos.
Com a perda do cargo, Peña perde também o foro privilegiado e pode ser processado criminalmente. Ele não compareceu ao Congresso e foi representado por advogados.
Defesa pediu mais prazo
Antes da votação, a defesa pediu 72 horas a mais para se preparar. Os advogados alegaram ter recebido menos de 12 horas para analisar uma acusação com mais de 300 páginas de documentos. O Senado negou o pedido, e a defesa ameaçou recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos, segundo a Folha de S.Paulo.
Peña é acusado de favorecer o Grupo Vázquez, controlador do Ueno, e de omissão na fiscalização do banco por parte do Banco Central. A oposição também aponta interferência no órgão que administra aposentadorias e a saúde dos trabalhadores paraguaios.
Renúncia não foi formalizada
Na quinta-feira (5), Peña havia anunciado a renúncia e, em pronunciamento, pediu desculpas à população. O Congresso, porém, suspendeu a análise do pedido e seguiu com o julgamento político. Se a renúncia tivesse sido aceita, Peña poderia ocupar uma vaga de senador vitalício.
O presidente também perdeu apoio dentro do próprio partido. O ex-presidente Horacio Cartes retirou o respaldo, e o Partido Colorado passou a apoiar o impeachment.
A crise do banco Ueno
A crise começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno, principal banco digital do país, com cerca de 3 milhões de clientes. As contas foram bloqueadas, o que provocou protestos em Assunção e aumentou a pressão sobre o governo.
O Ministério Público abriu investigações criminais sobre o caso. As apurações envolvem Peña, o vice-presidente Pedro Alliana e autoridades do Banco Central. Vinte e sete pessoas já foram formalmente acusadas, e seis diretores do banco estão em prisão preventiva. Ninguém foi condenado. Peña foi acionista do grupo que controlava o banco até 2025 e nega ter vínculo com a instituição.
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O que acontece agora
Alliana deverá assumir a Presidência e completar o mandato, previsto para terminar em agosto de 2028. A posse ainda depende da formalização da saída de Peña.
É a segunda vez em pouco mais de uma década que o Senado paraguaio destitui um presidente. Em 2012, Fernando Lugo foi afastado por mau desempenho de suas funções, e o vice, Federico Franco, assumiu o cargo.