Presidente do Paraguai renuncia após quebra de banco que congelou dinheiro de milhões

Crise bancária congelou depósitos de cerca de 3 milhões de pessoas e levou manifestantes às ruas de Assunção para cobrar a devolução do dinheiro.

Por Richardson Carvalho

·

Foto: Michael Nagle/Bloomberg/Getty Images
Ex presidente do Paraguai, Santiago Peña.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), enquanto parlamentares iniciavam o debate sobre seu impeachment, em meio à crise provocada pela falência do Ueno Bank.

A quebra de uma das maiores instituições financeiras paraguaias levou ao congelamento dos depósitos de cerca de 3 milhões de pessoas. A crise também provocou protestos em Assunção, onde manifestantes cobraram a devolução do dinheiro e o julgamento do presidente.

Peña, do Partido Colorado, assumiu a Presidência em 2023 e tinha mandato previsto até 2028. Sua saída ocorre em meio a questionamentos sobre a relação que manteve com o grupo controlador do banco e sobre decisões de seu governo envolvendo a instituição.

Acusações e perda de apoio

A acusação apresentada por 35 deputados pede um processo de impeachment “por mau desempenho de suas funções no exercício do cargo”. O documento aponta suposto conflito de interesses e questiona o aumento do patrimônio de Peña.

O presidente possuía ações de um grupo que controlava o Ueno Bank, das quais se desvinculou em março de 2025. A oposição o acusa de tomar decisões regulatórias supostamente favoráveis ao banco digital e de concentrar recursos previdenciários na instituição.

Os deputados solicitaram ao presidente da Câmara a convocação de uma sessão extraordinária para discutir o caso nesta quinta-feira. A abertura do processo depende do apoio de dois terços dos deputados.

Peña também enfrentava uma ruptura na base governista. Segundo a Associated Press, as duas principais facções do Partido Colorado na Câmara anunciaram apoio ao impeachment depois que o ex-presidente Horacio Cartes retirou seu respaldo ao mandatário.

Clientes cobram dinheiro nas ruas

Centenas de manifestantes voltaram às ruas de Assunção para exigir acesso aos valores depositados no banco. Na véspera, clientes formaram longas filas nas agências do Ueno Bank para tentar sacar o dinheiro.

Entre os manifestantes estava a médica Teresa Montiel, que relatou à agência AFP a preocupação com os recursos da aposentadoria. Ela levou um cartaz com a frase “Unidos somos mais fortes”.

“É o dinheiro da nossa aposentadoria, que agora não sabemos se vamos receber”, disse Teresa. A instituição tem entre seus clientes quase metade dos 6,4 milhões de habitantes do Paraguai.

Intervenção e devolução de depósitos

O Banco Central do Paraguai (BCP) decidiu intervir no Ueno Bank por insuficiência de capital. Os serviços da instituição foram suspensos com a intervenção, em meio à crise que atingiu os correntistas.

A crise levou ainda à renúncia do presidente do BCP, Carlos Carvallo. O governo paraguaio já havia anunciado que devolveria parte dos depósitos das pessoas afetadas pela quebra do banco.

Fonte: Veja