Um funcionário da empresa Serabi Minerações desabafou em entrevista ao Giro após a morte do funcionário Josimar Souza, de 41 anos, em um acidente de trabalho, na última segunda-feira (11), dentro da mina enquanto fazia a coleta de material e uma grande quantidade de pedras caiu sobre sua cabeça.
O Giro foi procurado por várias pessoas, uma delas, em especial, resolveu quebrar o silêncio e contar tudo que sabe. Ele afirma que a empresa tem culpa na morte de Josimar, já que o mesmo foi contratado para o serviço de auxiliar de sondagem e estava desviado das funções, sendo vítima do acidente quando exercia outro tipo de trabalho, o da área de Geologia, coletando amostragens. "A pessoa desviada das funções trabalha pra não perder o emprego, eles praticamente obrigam a fazer outros trabalhos." afirma
Conversamos com um membro da família de Josimar, que afirmou que vem recebendo apoio por parte da empresa, porém, ainda não sabem o que vai acontecer a partir de agora. "Tudo vai depender da atitude da mulher dele vai tomar a partir de agora." disse
O funcionário que conversou conosco ainda decidiu listar os principais problemas encontrados durante o tempo que trabalha na empresa.
Veja a lista dos principais problemas apontados pelos funcionários da empresa:
• Água de má qualidade para os funcionários de baixo escalão: água de banho e de consumo não seriam adequadas. Eles relatam que chegam a sofrer problemas de micose por conta da má qualidade da água de banho. "As pessoas que trabalham na parte administrativa todos consomem água mineral, andam com suas garrafas, o restante não." afirma
• Peruanos terceirizados: "Os peruanos sempre nos contam que vem pra cá com uma promessa e quando chegam é outra, trabalham sob pressão e a mão de obra é mais barata que a brasileira. São privados de muitas coisas e não podem reclamar."
• Existência de um paiol clandestino que guarda explosivos sem a devida segurança: "o que tem na superfície é padrão tem até vigilância com câmera e guarda patrimonial, mas o que tem clandestino dentro da mina não tem segurança nenhuma!"
• Falta de atendimento médico especializado: "Não temos um médico no local, somente técnico em enfermagem. Já aconteceu de após um acidente o trabalhador ter que esperar dias para ser levado à cidade para receber atendimento."
• Ausência de plano de saúde para os funcionários: "acharíamos necessário termos planos de saúde, já que o trabalho oferece muito risco. Por se tratar de um lugar onde a concentração de pó de sílica é muito grande deveríamos sim, no mínimo, ter um plano de saúde, pois não só na área operacional + também na área dos alojamentos contém essa poeira prejudicial!"
O Giro questionou um outro funcionário da empresa, através do Whatsapp, apresentando todos os problemas apontados acima, sua resposta também foi concreta. "não queremos mais trabalha na mineradora mina do palito." afirma, veja no print abaixo:

Conversa com um funcionário.
"Aconteceu uma situação com um colega de trabalho que não quis mais trabalhar na mina depois da morte do Josimar, a empresa deu 5 dias de gancho pra prejudica-lo. Estamos todos querendo ir embora dessa M..." afirma o funcionário em mensagem de áudio
O local de exploração da empresa, a região conhecida como Mina do Palito, fica próximo a comunidade Jardim do Ouro, entre Moraes Almeida e Novo Progresso, a viagem até Itaituba leva cerca de 5 hora de carro. A carga horária dos funcionários brasileiros é de 20 dias de trabalho por 10 de folga na cidade, já para os peruanos é de 40 dias de trabalhos por 20 de folga no seu país de origem.
Tentamos contato com a empresa para esclarecer os fatos através de um funcionários do setor de RH, porém, não houve qualquer tipo de resposta ou facilitação para o contato da parte administrativa do empreendimento. Deixamos o espaço aberto para o direito de resposta da empresa.