Veja o que disse um ex funcionário da empresa BUNGE sobre o acidente que tirou a vida de um funcionário da mesma

Postado em: 5 de junho de 2017, às 10:40hs

A semana que se passou em Itaituba (Final de maio, inicio de junho 2017) foi bastante dura pra muitos Itaitubenses, houveram enormes perdas de pessoas muito queridas. Mas a que gerou maior repercussão, sem dúvidas, foi a morte de Michell Fonseca da Silva de 36 anos de idade, funcionário da gigante BUNGE Alimentos.

Uma grande polêmica foi gerada a partir do acidente, o que teria acontecido? será que usava equipamentos de segurança? a empresa garante que sim, e isso foi constatado pelo corpo de bombeiros. Mas o Tenente Coronel Ney Tito em entrevista ao blog Plantão 24 horas, falou dos grandes riscos de novos acidentes que ainda podem acontecer, caso nenhuma providência seja tomada pelas empresas portuárias de Miritituba. Esse foi o segundo acidente com vítima  fatal, ocorrido em silos de empresa portuária na localidade.

Entenda o caso: Homem morre em acidente na empresa Bunge Alimentos em Miritituba

O promoter e empresário Edson Lima, foi funcionário da empresa BUNGE por um bom tempo, o mesmo usou as redes sociais para manifestar sua opinião sobre o grave acidente que tirou a vida de seu amigo Michell, suas declarações geraram ainda mais polêmica sobre o assunto. VEJA:

Texto na íntegra:

“(Sobre o acidente em um Porto Escoador de Grãos em Itaituba )….

Primeiro queria iniciar falando que o Michel ( falecido ), era meu amigo , foi meu vizinho, colega de trabalho na CAIMA, colega de trabalho no porto de Sojas, cuja nesta empresa trabalhamos juntos por quase 2 anos. As palavras que aqui vou transcrever é tudo aquilo que acompanhei e vivi dentro daquela empresa.

Pois bem , antes de falar da atividade de quebra de soja realizada dentro dos silos , queria dizer que está (empresa) , é uma empresa séria, conceituada no quesito de segurança, com uma das políticas mais rígidas se tratando deste assunto, uma empresa que respeita e dá aos funcionários todas as condições de se trabalhar seguro. Porém quem faz a empresa não são as normas e regras que nelas existem, mas sim quem as coordena, ou seja “o papel aceita tudo” , mas as práticas de execução das atividades ficam por conta da gerência de cada unidade.

Então não vou poder falar sobre o acidente, pois eu não estava presente, mas irei falar sobre toda a realização dessa atividade e como ela era realizada.
Há cerca de 4 anos atrás aconteceu o primeiro endurecimento de soja dentro dos silos desta empresa, nosso gerente era o MARCELO ZANON ( um cara extremamente responsável, trabalhador, preocupado com seus funcionários, cuidadoso, o melhor profissional com quem eu já trabalhei, um profissional ímpar ) , ele então chamou todos os funcionários de CONFIANÇA dele pra entrar dentro do SILO , que ele iria ensinar a realizar a pratica de quebra de soja, “lembro me como se fosse hoje” , todos recusaram, pois era uma atividade perigosa, somente eu e o Ruad Castro ( Técnico em Segurança ) , desta empresa entramos com ele dentro dos silos. E lá então o Marcelo Zanon ( gerente ) nos ensinou todos os procedimentos corretos de trabalho , todas as técnicas de segurança , toda a movimentação correta á se fazer dentro do silo, neutralizar todas as fontes de energias possíveis capaz de acionar qualquer equipamento capaz de causar um dano, preenchimentos de PTP, hora de descanso e trabalho dentro dos silos, acesso e saídas, enfim nos passou tudo o que precisávamos para fazer a atividade de forma mais correta possível. Após eu e o Ruad Castro termos tido todo o ensinamento dele, a Empresa disponibilizou funcionários terceirizados de outra empresa para que nós ensinássemos a eles a também executar tal atividade , e com o passar do tempo vários outros funcionários também da nossa empresa foram aprendendo a realizar está atividade. Pois bem trabalhamos por quase 6 meses seguidos todos os dias direto enfiados dentro desses silos , pois na época todos os 4 silos empedraram , devido a compactação que houve na estrada de acesso ao lado , a máquina de asfaltar passou ao lado ainda em época de obra , somada a nossa inexperiência com o departamento de qualidade , empedrou-se todos os 4 silos , enfim o que quero aqui deixar claro é que trabalhamos durante 6 meses seguidos, entrando todos os dias de domingo à domingo nos Silos e se quer ocorreu um acidente neste período ( quem dirá uma morte ). Éramos em 3 técnicos em segurança de formação eu, Ruad Castro e Francisco Dias, e verdade seja dita 3 pessoas chatas “e que mais tarde lá na frente você vai entender, porque foram os primeiros a serem demitidos” , éramos 3 técnicos de segurança que tínhamos a total confiança do gerente para executar esta atividade, e o maior de tudo, tínhamos respeito pela vida de cada um que ali estava. Durante esses 6 meses, durante toda a atividade tínhamos que estar dentro do silo, quase sempre um fora vigiando e um dentro inspecionando , só podíamos sair quando o último saísse.
Pois bem este era o nosso dia á dia de trabalho frente a essa atividade. Passou um tempo o nosso gerente foi transferido e uma outra pessoa assumiu a frente da empresa ( é aí que começa O PROBLEMA ) , como eu disse lá no início “são as pessoas que fazem a empresa” …….
Nós travávamos a atividade pois trabalha com segurança requer tempo “e ele não estava afim de perder tempo” , eu e Ruad fomos impedidos de acompanhar as atividades , só podíamos ficar na sala redigindo documentos , passou-se á executar essa atividade à NOITE , isso mesmo meus amigos realizar essa atividade à noite devido as proporções é o mesmo que da uma moto pra um cego andar, a empresa não tinha na época cinto de seguranças suficiente para todos os funcionários , independente disso a nova gerência obrigava todos a entrar e ajudar , entrava operador de máquina, almoxarifado , eletricista, mecânico, funcionários sem curso de espaço confinado, não importava se sabia ou não o que estava fazendo era obrigado a entrar se não era logo ameaçado de demissão. Lembro-me uma vez que um encarregado reclamou de estar trabalhando à noite dentro dos silos , este por sua vez foi ameaçado de demissão e mais tarde de fato foi demitido. Os funcionários eram ( quem sabe são até hoje ) obrigados a trabalhar pulando encima de uma rosca varredoura dentro do silo , sim porque ela não movimenta , se não tivesse homens pulando encima ( pra quem não sabe a rosca varredoura , é um equipamento que tritura e varre a soja) , ou seja um deslize pra frente com ela ligada você vira picadinho, e os funcionários não somente tinham que ficar dentro do silo com ela ligada, como pulando encima dela , imagine você encima da boca de um tubarão se equilibrando “da no mesmo”, não havia mais descanso , os funcionários tinham medo do “chefe” chegar e pegar eles descansando, eram desafiados a bater metas “de chapas” derrubadas durante o dia, passou a ser comum trabalhar com a bica aberta, acidentes passaram a não ser mais tratados como acidentes para não interferir na “PL” , enfim todo aquele processo que foi realizado de aprendizagem com uma equipe durante 6 meses foi esquecido , por conta de uma nova metodologia de trabalho , que não colocava a vida das pessoas em primeiro plano, mas sim a produção. Resultado disso é que eu, juntamente com o Ruad, continuávamos brigando,reclamando em nome dos meninos e primeiro foi ele demitido, depois eu. Após isso contrataram uma profissional da área de segurança sem experiência doida por um emprego e lhe moldaram do seu jeito, aceitando tudo o que lhe era mandado, na nossa linguagem “um técnico sem culhão”.
Após isso ainda trabalhei com o Ruad em uma nova empresa na EZORTEA , sob liderança do nosso amigo Rogério Serena aonde realizamos a montagem do maior PIER FLUTUANTE já criado no Brasil onde não ocorreu nenhum acidente ( 0 acidente ). E cada um seguiu suas vidas, o Michel enquanto lá eu estive sempre foi um dos melhores funcionários, comprometido com a segurança, trabalhador, esforçado e enganjado em tudo aquilo que fazia, nunca reclamou por ter que usar os equipamentos de segurança, pelo contrário sempre chamava a atenção de todos, a boca dele já era “eu vou te Meter um observar, se tu entra no meu pier sem colete” , foi um dos melhores funcionários de se trabalhar em relação à segurança, mas que como muitos é um pai de família trabalhador e que por necessidade geralmente realiza todos os tipos de atividades sem se queixar, sendo usado por aqueles que não estão o mínimo preocupados com a vida das pessoas.
Estou falando aquilo que sei e que presenciei, e que me coloco em favor da família pra falar tudo o que sei caso assim seja preciso, pois hoje foi com ele amanhã pode ser com outro.
Não tenho medo de falar , porque eu não compactuo com mentiras, não compactuo com gente mal caráter, gente que perseguiu vários colegas de trabalho a não conseguir emprego no município, eu segue outro caminho, mas tenho certeza que aqueles que conhecem meu trabalho na área de segurança sabe que onde houver desrespeito com a vida de um funcionário lá não vai estar eu.
Amanhã a empresa nos substitui , tem 1000 pessoas esperando a tua vaga, e sempre também vai ter um louco atrás de resultados e números a qualquer preço, afim de crescer à custa do trabalho dos outros, mesmo que á ele custe a vida de outras pessoas, e lembra-te na sua casa te esperando e que te ama tem bem poucas pessoas……

Descanse em paz Michell Fonseca da Silva , você foi um grande homem , um amigo e um grande PROFISSIONAL!” – Edson Lima;

-Giro Portal

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