Seca que ainda não chegou atrasa temporada de praias e turismo em Santarém, mas beleza e histórias continuam encantando visitantes

A praia de Alter do Chão, considerada uma das mais bonitas do Brasil, costuma atrair milhares de turistas nessa época.

Por Gleilson Nascimento

Praia Ponta de Pedras

Santarém, no oeste do Pará, é mundialmente conhecida por suas belezas naturais e, principalmente, pelas praias de água doce que surgem no período da seca amazônica, geralmente entre os meses de julho e novembro. Este ano, no entanto, a estiagem está demorando mais do que o habitual, e o Rio Tapajós ainda apresenta um nível elevado para a época, o que tem afetado diretamente o turismo, uma das principais fontes de renda em locais como Alter do Chão.

Segundo a medição feita pela Defesa Civil neste domingo (27), o nível do Rio Tapajós está em 6,90 metros — 1,69 metros acima do registrado na mesma data em 2024, e apenas 40 cm abaixo do ano de 2014. A comparação com 2009 mostra uma diferença de 45 cm a menos. Em outras palavras, a descida do rio ainda está lenta, o que dificulta o aparecimento das famosas faixas de areia branquinha, um dos principais atrativos da região.

A praia de Alter do Chão, considerada uma das mais bonitas do Brasil, costuma atrair milhares de turistas nessa época. O fenômeno natural da seca faz com que surjam bancos de areia em vários pontos do rio, formando paisagens paradisíacas. Mas, por enquanto, as areias continuam submersas.

“Esse ano está sendo atípico. Geralmente, em julho a Ilha do Amor já está com uma faixa de areia bem visível, mas ainda não conseguimos trabalhar com a mesma intensidade que em anos anteriores”, conta Matheus Molinari, paulista de Bragança que há sete anos trocou o Sudeste pelo Norte e se tornou guia turístico em Alter do Chão.

Matheus é um exemplo de quem veio para passear e acabou ficando. “Meu pai veio primeiro, gostou e trouxe a gente. Hoje, temos casa aqui e trabalhamos com turismo. Eu comprei uma lancha e faço os passeios com os turistas”, relata.

Entre os serviços que Matheus oferece, estão os tradicionais roteiros de lancha pelas praias de Alter do Chão, mas também experiências diferenciadas, como pescarias no Rio Arapiuns e no Canal do Jari, trilhas ecológicas na Floresta Nacional (Flona) do Tapajós — incluindo visita à Samaumeira de 900 anos — e visitas a comunidades tradicionais com vivências em artesanato e apicultura com abelhas sem ferrão.

“É uma forma de mostrar não só a paisagem, mas também a cultura, a história e o modo de vida daqui”, explica.

Mesmo com o atraso na seca, a expectativa entre os empreendedores locais é positiva. Com a chegada de agosto e setembro, tradicionalmente os meses mais secos, espera-se que o nível do rio comece a cair mais rapidamente, revelando aos poucos as faixas de areia e impulsionando a temporada de praias.

Enquanto isso, passeios como o “encontro das águas”, entre os rios Tapajós e Amazonas, as trilhas pela floresta e os roteiros culturais seguem movimentando a região.

Para quem planeja visitar Santarém e Alter do Chão, o conselho é claro: independentemente do nível do rio, a beleza e a hospitalidade da região continuam fazendo valer a viagem.

Fonte: Giro Portal