Pais denunciam que filhos foram agredidos e abusados sexualmente por professor em Santarém

" Eu não quero mais ser criança, ser criança é ruim, quero voltar a ser bebê " disse uma das vítimas. As crianças foram ouvidas por psicólogos e submetidas a exames de corpo de delito.

Por Portal Giro

Foto: Reprodução
Imagem ilustrativa.

Duas famílias falaram na sexta (13) sobre os crimes que estariam acontecendo na Unidade Municipal de Educação Infantil (Umei) do bairro Caranazal, na cidade de Santarém, oeste do Pará.

De acordo com a mãe de uma das vítimas, tudo começou no início do ano letivo quando observou que o filho de 4 anos aparentava ter aversão à escola. Por acreditar que era um comportamento normal do período de adaptação com a rotina escolar, a família não estranhou o comportamento. Com o tempo, a mãe percebeu inúmeras mudanças no filho e resolveu falar com uma psicóloga da família para buscar uma orientação. A criança demonstrava ter pavor do professor, relatava que ele era mau, que a agredia e por isso ela não queria ir para escola.

Contei para a psicóloga que me orientou a criar um ambiente de confiança com o meu filho para ele me contar o que estava acontecendo. Foi aí que eu tirei um momento com meu filho e simulei que estávamos brincando de escola. No caso os bonecos eram os coleguinhas. Eu seria ele e ele seria o professor e ele iria fazer comigo como o professor fazia na escola. Foi nesse momento que ele me fez revelações, contou a mãe do menino.

Ainda segundo a mãe, durante essa "brincadeira" o menino contou que o professor abaixava a calça e reproduziu os movimentos de um ato de masturbação e também a agredia muito forte na região do abdome, testículos e nos glúteos.

"Ele abriu a roupinha, colocou o pintinho pra fora e fez gesto de masturbação. Ele falou que o professor fazia xixi nas crianças. Ele falou "mãe ele faz xixi nos coleguinhas. Ele faz xixi. Ele fez xixi em mim também". Eu continuei ouvindo o relato dele onde ele falou que o professor batia muito forte na barriga, nos testículos, batia muito forte no bumbum e era exatamente em lugares que talvez eu não fosse perceber. Foi aí que caiu a ficha de tudo", contou mãe.

A mãe contou ainda que após os relatos do filho, lembrou que as vezes a criança retornava com as roupas molhadas. Em uma ocasião ela notou que na cueca do menino havia uma secreção gosmenta e lisa, mas sequer imaginou que poderia se tratar de sêmen.

Agressões físicas

A avó de outra vítima, disse que a menina de 4 anos está tendo atendimento psicológico devido o trauma sofrido por causa do professor. E relatou à avó que era agredida fisicamente nas costas. A criança contou ainda que o mesmo colocava as crianças de costas para a parede e fazia uma brincadeira denominada “Batatinha1,2,3” onde as crianças eram agredidas. Inclusive, ela foi violentada no abdome.

"A minha neta não relatou se teve contato com os órgãos genitais do professor, mas ela também relatou que ele jogava o suposto "xixi" nas crianças. Ela me disse que ele fazia uma brincadeira de roda, onde um colega beijava o outro na boca até chegar no professor". [...] "Ela começou a falar "tatibitati" e dizia "vovó, não quero mais ser criança, ser criança é ruim, quero voltar a ser bebê" e eu conversava com ela e tentava entender essa mudança no comportamento dela", contou a avó.

Mudanças de comportamento

Outra mãe também falou sobre as mudanças de comportamento do filho de 4 anos. A criança começou a falar palavrões e apresentar gestos sexuais, como a prática da masturbação e simulação de sexo oral com familiares. Além disso, o menino passou a xingar as irmãs e outras meninas do convívio familiar. A criança não se alimentava direito, perdeu peso e regrediu no desenvolvimento, querendo inclusive voltar a mamar, fazer uso de chupetas e mamadeiras.

A avó da menina de 4 anos também relatou mudanças no comportamento da criança com a família.

Sala trancada, escura e sem brinquedos

As famílias relataram que não tinham contato com o espaço onde as crianças ficavam. Uma pessoa da Umei recebia a criança na porta e levava à sala. Poucas vezes as famílias tiveram a oportunidade de conversar presencialmente com o professor.

Depois das revelações das crianças, uma reunião com a equipe da Umei foi realizada e só então a mãe do menino pôde observar que o ambiente que as crianças ficavam era pequeno e não havia brinquedos.

"Há relatos que o professor trancava a sala e ficava no escuro com as crianças. A minha neta relatou isso para mim. Ela contou que o professor deixava elas no escuro e falava que o "bicho ia pegar elas", disse a avó.

Providências

As famílias levaram o caso à Polícia Civil que apura as denúncias em inquérito aberto pela Delegacia Especializada de Atendimento à Criança e ao Adolescente (Deaca). As crianças foram ouvidas por psicólogos e submetidas a exames de corpo de delito.

Em entrevista, o delegado Alexandro Napoleão informou que aproximadamente 10 crianças das turmas do professor em questão já foram ouvidas. Também devem ser ouvidos servidores da Umei e da Semed.

"Aproximadamente 10 menores que estudam naquela Umei já compareceram à Deaca. Eles foram ouvidos pelas técnicas que aqui trabalham, psicólogas e assistentes sociais e puderam relatar os acontecimentos que vivenciaram em sala de aula com professor que é suspeito de ter violado os seus direitos. As providências estão sendo adotadas de acordo com a legislação e os procedimentos policiais cabíveis para esse tipo de situação estão sendo realizados", contou Alexandro.

As famílias também levaram o caso ao conhecimento do Conselho Tutelar e Ministério Público do Pará (MPPA). O professor foi afastado da Umei após as denúncias.

O MPPA informou por meio de nota que a apuração ainda está em fase investigatória pela Policia Civil, e quando finalizada, deve ser distribuída a uma das Promotorias de Justiça criminais de Santarém. Em atendimento à demanda de familiares que buscaram o MPPA, a 3ª Promotoria de Justiça acompanha a situação quanto ao Controle Externo, ou, seja, na fiscalização da apuração policial.

A Semed de Santarém divulgou uma nota dizendo que tomou conhecimento da situação na última segunda-feira (2) e que o caso está sendo apurada pela Comissão Permanente de Processo Administrativo Disciplinar. E afirmou que o servidor foi afastado até as apurações do caso.

Fonte: G1 Santarém