Médico critica decreto federal que inclui Hidrovia do Tapajós em programa de desestatização e alerta sobre impactos ambientais e sociais

Para Erik Jennings Simões, decisão do governo federal ameaça ecossistema, comunidades tradicionais e turismo na região do Tapajós

Por Gleilson Nascimento

Médico Erik Jennings Simões durante pronunciamento nas redes sociais contra o decreto federal que inclui a Hidrovia do Tapajós no Programa Nacional de Desestatização

Na tarde desta quarta-feira (3), o médico Erik Jennings Simões usou suas redes sociais para se manifestar contra o Decreto nº 12.600/2025, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que inclui a Hidrovia dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND).

Em seu pronunciamento, Simões destacou os riscos da medida para o ecossistema local e para a população.

“A fila de navio está quase chegando e altera o chão. Às vezes tem dez navios esperando para embarcar soja e levar para fora do Brasil, para Ásia e outros países. O que isso fica para a gente, para a população? Quase nada”, afirmou.

O médico também criticou o modelo de desenvolvimento proposto e lembrou de canções de artistas amazônidas para reforçar sua preocupação com a preservação da região.

“Porto de Lênia, tu nunca serás Liverpool, com a cara sardenta e os olhos azuis. Qual é realmente nosso talento de desenvolvimento para a Amazônia? Será que é esse modelo? Talvez não”, disse, em referência à música do cantor Zeca Torres (Torrinho) .

Simões alertou ainda sobre os impactos para as comunidades indígenas, tradicionais e para o turismo, que considera uma importante fonte de renda local.

“Isso traz um risco muito grande para o ecossistema do Rio, para as praias, para as comunidades indígenas, para as comunidades tradicionais. Esse tipo de desenvolvimento é incompatível com o turismo, que tanto se sonhou e que tanto se está trabalhando aqui no Tapajós”, declarou.

O médico concluiu sua postagem enfatizando a importância de proteger os rios e a vida que eles sustentam.

“Na terra do Verde de Bravio, o azul sinuoso passeia, é a mansa corrente de um rio que eu trago correndo nas veias. O que corre nas veias é vida, não se leiloa, não se vende e precisa ser muito bem cuidado”, afirmou, citando uma música de Wilson Malheiros e Tassilo de Amaral.

O Decreto nº 12.600/2025 inclui a Hidrovia do Rio Madeira, que liga Porto Velho (RO) à foz do Rio Amazonas em Itacoatiara (AM); a Hidrovia do Rio Tocantins, entre Belém (PA) e Peixe (TO); e a Hidrovia do Rio Tapajós, que conecta Itaituba (PA) a Santarém (PA).

A medida, publicada no dia 28 de agosto, visa abrir espaço para investimentos privados em logística e transporte, especialmente no escoamento de grãos da região Norte.

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Fonte: Giro Portal