Gestante de 6 meses perde bebê após ser atendida no Hospital Municipal de Santarém; família denuncia negligência médica

A família afirma que a gestante, que apresentava gravidez de risco, foi liberada após exame de ultrassom mesmo com sangramento; hospital nega negligência e diz que atendimento seguiu critérios técnicos.

Por Gleilson Nascimento

Hospital Municipal de Santarém

Uma família de Santarém, no oeste do Pará, denunciou suposta negligência médica no atendimento à gestante Elzalice de Sousa Gomes e, que estava no sexto mês de gravidez e perdeu o bebê nesta quinta-feira (21). O caso aconteceu no Hospital Municipal de Santarém (HMS).

Segundo relato da cunhada, a gestante enfrentava uma gravidez de risco, já que apresentava plaquetas baixas e aumento do baço. Na semana passada, ela chegou a ser internada no hospital, mas recebeu alta após alguns dias.

Ainda de acordo com a família, na manhã de quarta-feira (20), Elzalice voltou a procurar atendimento no HMS após apresentar sangramento vaginal.

Durante a consulta, foi realizada uma ultrassonografia, e a médica que atendeu afirmou que “estava tudo bem” e que o sangramento era “normal”. A gestante foi medicada com transamin, indicado para conter hemorragias, e orientada a usar o remédio caso tivesse dor ou sangramento.

Na madrugada desta quinta-feira (21), por volta das 5h55, a situação se agravou. A família contou que a gestante começou a sentir fortes dores e, em seguida, sofreu o parto prematuro em casa. O bebê, uma menina, não resistiu.

“Ela estava muito mal, gemendo de dor, e o neném saiu. Minha sobrinha veio a falecer. O hospital municipal é um caos, foi negligência médica. Não quiseram deixá-la internada, e agora minha cunhada corre risco de vida”, desabafou a cunhada da vítima.

O que diz o hospital

A Prefeitura de Santarém, por meio da direção do Hospital Municipal Dr. Alberto Tolentino Sotelo (HMS), informou que a gestante esteve internada na unidade entre os dias 12 e 18 de agosto de 2025 para investigação de alterações no sangue, caracterizadas por aumento do baço (esplenomegalia) e baixa contagem de plaquetas (trombocitopenia). Na ocasião, recebeu alta com orientações e encaminhamento para atendimento especializado no HEMOPA, onde foi consultada no dia 19.

No dia 20 de agosto, a paciente foi atendida pelo setor de obstetrícia do HMS. Segundo a unidade, os exames mostraram que o bebê estava bem, com batimentos cardíacos normais, movimentos ativos e crescimento compatível com a idade gestacional. A gestante apresentava apenas um sangramento discreto, sem sinais de risco imediato.

Ainda de acordo com a nota, foi receitada medicação para conter o sangramento e reforçadas as orientações sobre os sinais de alerta, com recomendação de retorno imediato em caso de qualquer mudança no quadro.

O hospital destacou que todas as condutas adotadas seguiram critérios técnicos adequados, não havendo indícios de negligência no atendimento prestado.

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Fonte: Giro Portal