Estudantes do Pará criam papel biodegradável com açaí e bananeira para monitorar o pH da água

Tecnologia desenvolvida em escola pública de Oriximiná pode ajudar comunidades ribeirinhas e quilombolas a identificar alterações na água consumida.

Por Gleilson Nascimento

·

Estudantes de Oriximiná celebram conquista internacional com projeto de tecnologia amazônica

Estudantes da Escola Estadual de Ensino Médio Padre José Nicolino de Souza, em Oriximiná, no oeste do Pará, desenvolveram um papel inteligente biodegradável produzido com biomassa amazônica que muda de cor ao entrar em contato com a água, indicando alterações no nível de pH. A invenção já conquistou prêmios nacionais e internacionais, incluindo o primeiro lugar geral na categoria Ensino Médio Internacional da ExpoCiencias Nacional Chile 2026.

O projeto utiliza fibras retiradas do tronco da bananeira impregnadas com extrato de açaí. A combinação permite identificar visualmente se a água apresenta características mais ácidas ou alcalinas, por meio da mudança de coloração do papel.

A proposta é beneficiar principalmente comunidades ribeirinhas, quilombolas e populações que vivem em regiões isoladas, onde o acesso a laboratórios e equipamentos para análise da água pode ser limitado. Com uma ferramenta simples e potencialmente acessível, os moradores poderiam fazer uma verificação inicial e identificar possíveis alterações na água utilizada no dia a dia.

É importante destacar que o papel não purifica a água nem comprova que ela é própria para consumo. O teste identifica apenas alterações no pH e não detecta, por exemplo, bactérias, vírus, metais pesados ou outros contaminantes. Por isso, análises específicas continuam sendo necessárias para confirmar a potabilidade.

Além da utilidade social, a pesquisa também apresenta uma preocupação ambiental. Os estudantes buscaram reduzir o consumo de água durante a fabricação do papel artesanal, permitindo ainda o reaproveitamento da água utilizada no processo. A iniciativa também valoriza matérias-primas encontradas na própria Amazônia.

O trabalho é de autoria dos estudantes Giulia Cabral Guerreiro, Marcos Vinícius Santos de Oliveira e Matheus Willian Jordão Rodrigues, com orientação da professora Andreza Maria Santos de Oliveira e coorientação de Silvana Maria Cabral Guerreiro.

Antes da conquista no Chile, o projeto já havia recebido medalha de ouro em uma mostra científica no Paraguai e reconhecimento na Milset Brasil, em Fortaleza. A pesquisa também deverá ser apresentada em eventos em Santarém, Belém, Brasília e Nova York.

A iniciativa mostra como a ciência desenvolvida dentro de uma escola pública pode buscar soluções para desafios enfrentados pela população amazônica, unindo conhecimento, preservação ambiental e tecnologia.

Fonte: Giro Portal