Encontrados vivos tripulantes de embarcação que saiu de Santarém com destino a Chaves, no PA

As 6 pessoas que estavam desaparecidas foram encontradas nesta quarta (13) em uma ilha no estado do Pará. Após barco pegar fogo, os tripulantes sobreviveram tomando água da chuva e racionando comida.

Por Portal Giro

Foto: Reprodução

Parece cena de filme, mas não é. Um bilhete encontrado em uma garrafa levou a Marinha do Brasil ao paradeiro dos 6 tripulantes da embarcação Bom Jesus, que há mais de 10 dias não faziam contato com os familiares e chegaram a ser dados como desaparecidos. Ao menos essa foi a informação repassada ao superintendente regional da Polícia Civil do Baixo Amazonas, delegado Jamil Casseb.

Os tripulantes foram encontrados pela Marinha em uma ilha, após o início das buscas a partir de Santana (AP) em direção a Chaves, no Pará. Os tripulantes estavam na Ilha das Flechas, localizada no Pará.

Garrafa pet com bilhete dos náufragos foi amarrada a uma boia. (Foto: Reprodução/Marinha)

A embarcação Bom Jesus saiu de Santarém, no oeste do Pará, no dia 24 de março, para levar uma carga ao município de Chaves, no Marajó, e o último contato dos tripulantes com familiares foi feito no dia 26 de março.

O desaparecimento dos tripulantes foi comunicado à polícia por familiares de dois dos tripulantes procuraram a 16ª Seccional de Polícia Civil de Santarém na última segunda-feira (11). Os tripulantes haviam informado às famílias que estariam de volta cerca de 10 dias após o último contato, o que não aconteceu.

Os familiares também procuraram a Capitania Fluvial de Santarém que levou o caso às instâncias superiores e na terça (12) a Capitania dos Portos do Amapá enviou um navio para realizar buscas pela embarcação Bom Jesus.

Momento do resgate dos 6 tripulantes do barco Bom Jesus por equipe da Marinha do Brasil. (Foto: Reprodução/Marinha do Brasil)

Foi tomando água de chuva, racionando comida e se abrigando debaixo de uma barraca improvisada com lona, que os 6 tripulantes do B/M Bom Jesus sobreviveram na Ilha das Flechas, no Pará, depois que a embarcação sofreu uma pane e pegou fogo.

"A gente conseguiu pegar um pouco de alimento. E a gente ia passando como diz o ditado: vendendo almoço pra comprar janta até hoje. A gente ainda tinha um restinho, uma calabresa, um restinho de carne salgada, um quilo de arroz, um resto de açúcar. Só Deus. Só Deus pra tirar nós de lá. A gente fazia fogo e aparava água da chuva pra beber", contou o comandante da embarcação, Cristiano Azevedo.

Quando o incidente aconteceu, a embarcação estava próxima da Ilha das Flechas e com o auxílio de boias os tripulantes conseguiram nadar até lá. Com o passar do tempo, sem que passasse nenhuma embarcação pelo local, surgiu a ideia de escrever o bilhete com pedido de socorro.

Os tripulantes acreditavam que se algum pescador daquela região encontrasse o bilhete, iria até à ilha resgatá-los.

"Foi uma surpresa pra nós quando o helicóptero da Marinha chegou. A gente achava que os pescadores é que iam salvar a gente, mas eles passavam muito distante. E quando a gente viu o socorro chegando o sentimento é de que Deus nunca abandonou a gente. Todos os dias eu repetia essa frase: interceda por nós que recorremos a vós", disse Cristiano.

Os tripulantes foram resgatados de helicóptero na tarde de quarta-feira (13) por uma equipe da Marinha do Brasil. Debilitados, mas sem ferimentos, eles foram levados inicialmente ao hospital do 4º Distrito Naval onde receberam os primeiros atendimentos na noite desta quarta-feira e depois foram encaminhados à UPA da Sacramenta, em Belém.

Um inquérito administrativo foi instaurado pela Capitania dos Portos do Amapá para apurar as causas, circunstâncias e responsabilidades do desaparecimento.

Foram encontrados com vida:

Antônio Oliveira dos Santos - maquinista mecânico;

Leilane Carla Ferreira Guimarães - cozinheira;

Cristiano de Azevedo Figueira - marinheiro

Joelson da Silva Costa - responsável pela carga;

Valdeney Dolzanes Reis - Policial Militar.

"Negão" – maquinista

Foto: Reprodução

O caso

Segundo informações, o objetivo da viagem era levar uma carga para Chaves. Dois vídeos feitos pelo policial militar que fazia a escolta da carga circularam na terça-feira (12) nas redes sociais. Em um dos vídeos, Valdeney Dolzanes Reis mostra a embarcação encalhada. O policial militar conta que os tripulantes aguardavam a maré subir para poderem dar sequência à viagem.

Ao chegar em Chaves, os tripulantes foram informados que a pessoa que receberia a carga, teria desistido de fazer a retirada e para não perder a viagem eles levariam a encomenda até Nazaré, também na região do Marajó. Desde então os familiares não tiveram mais contato com a embarcação e os tripulantes.

Fonte: G1 Santarém e Região