Desembarcaram no início da noite de quinta-feira (14) no aeroporto internacional Maestro Wilson Fonseca, em Santarém, oeste do Pará, os 6 tripulantes do barco Bom Jesus, resgatados pela Marinha em uma ilha deserta na região do Marajó após de 17 dias de uma pane que provocou incêndio na embarcação.
Antônio Oliveira dos Santos (maquinista mecânico), Leilane Carla Ferreira Guimarães (cozinheira), Cristiano de Azevedo Figueira (marinheiro), Joelson da Silva Costa, Valdeney Dolzanes Reis (policial militar da reserva) e Jefferson Marcos dos Santos (maquinista) foram transportados de Belém para Santarém em um avião Caravan (guardião 07) do Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp), vinculado Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup).
No aeroporto, além de familiares, uma equipe da Polícia Civil acompanhou o desembarque dos tripulantes que serão ouvidos em inquérito policial que apura entre outras coisas, qual a finalidade da viagem e se de fato o barco transportava alguma carga como chegou a ser informado por familiares quando foi registrado o desaparecimento da embarcação e dos tripulantes.
"Nós viemos aqui para dar apoio ao pessoal do Graesp, e vamos intimar os tripulantes a comparecerem à delegacia para prestar esclarecimentos. Vamos ver a disponibilidades deles para ouvir cada um ao seu tempo. Um inquérito foi instaurado e nós vamos investigar se tem algum indício de crime ou não. O presidente desse inquérito é o delegado Eduardo Simão", disse o chefe do Núcleo de Apoio à Investigação da Polícia Civil do Baixo Amazonas, delegado Silvio Birro.
Reencontro com familiares

Leilane Carla, a cozinheira do barco Bom Jesus, recebendo o carinho de familiares. (Foto: Reprodução/Alan Martins-g1 Santarém)
O reencontro dos tripulantes com as famílias foi marcado por muita emoção. A cozinheira Leilane Carla recebeu o carinho de familiares através da grade de proteção da pista do aeroporto.
Leilane e Cristiano foram os únicos tripulantes que conversaram com a imprensa após o desembarque em Santarém. Ambos relataram os momentos de desespero quando a embarcação pegou fogo, que a finalidade da viagem era fazer o reconhecimento de uma futura rota comercial e falaram sobre a felicidade de reencontrar suas famílias.
Na saída da área de desembarque, muito choro e abraços apertados entre os tripulantes e seus familiares. Do aeroporto, cada um seguiu para suas casas.

Reencontro emocionado entre tripulantes e seus familiares no Aeroporto de Santarém. (Foto: Reprodução/Alan Martins-g1 Santarém)
Desaparecimento
A embarcação Bom Jesus saiu de Santarém, no oeste do Pará, no dia 24 de março, segundo informações prestadas por familiares dos tripulantes à Polícia Civil, para levar uma carga ao município de Chaves, no Marajó, e o último contato dos tripulantes com familiares foi feito no dia 26 de março.

Barco desapareceu com 6 tripulantes que saíram de Santarém para Chaves. (Foto: Reprodução)
O desaparecimento dos tripulantes foi comunicado à polícia por familiares de dois dos tripulantes procuraram a 16ª Seccional de Polícia Civil de Santarém na última segunda-feira (11). Os tripulantes haviam informado às famílias que estariam de volta cerca de 10 dias após o último contato, o que não aconteceu.
De acordo com o maquinista Jefferson Marcos e o marinheiro Cristiano Azevedo, a viagem seria para reconhecimento de uma possível rota comercial que o proprietário do B/M Bom Jesus queria operar. Eles negam que tivesse alguma carga sendo transportada pelo barco, como chegou a ser informado por familiares deles à polícia.
O resgate

Garrafa pet com bilhete dos náufragos foi amarrada a uma boia. (Foto: Reprodução/Marinha)
Um bilhete encontrado em garrafa pet amarrada a uma boia levou a Marinha do Brasil ao paradeiro dos 6 tripulantes da embarcação Bom Jesus, que há mais de 10 dias não faziam contato com os familiares e chegaram a ser dados como desaparecidos.
O bilhete foi encontrado por um pescador da região do Marajó, no Pará. Foi ele quem fez contato com a Marinha e avisou sobre o bilhete com pedido de socorro. No bilhete havia informações de que a embarcação Bom Jesus pegou fogo e que os seis tripulantes estavam na Ilha das Flechas. Também havia contatos telefônicos de alguns familiares que moram em Santarém.
A ideia de usar a boia e as garrafas pet foi do maquinista Jefferson Marcos. E outro tripulante teve a ideia de fazer o bilhete. E ao longo dos últimos cinco dias, eles torciam para que alguém encontrasse o bilhete e fosse socorrê-los.