Populares lutam por apropriação legal de terreno abandonado anexo ao residencial “Wirland Freire”

Postado em: 24 de fevereiro de 2017, às 20:31hs

Área da invasão | imagens Google Maps.

É notório que no decorrer do processo de luta pela terra, sempre existirão conflitos, uma vez que estão em jogo interesses contrários, onde aqueles que possuem terras não querem perdê-las, e quem não as possui, muito as deseja.

O local invadido tem aproximadamente 382 lotes, os ocupantes estão no processo de habitação desde o dia 25 de janeiro. Em reunião na câmara de vereadores o chefe de gabinete do prefeito afirmou que uma das prioridades nesse governo é garantir pelo menos dois mil lotes para as famílias que não tem terra e que não tem casa.

Segundo informações apuradas, o suposto proprietário da terra, incentivou as pessoas a invadirem com intuito de negociar a área com a prefeitura, por um valor de DEZ MILHOES DE REAIS, mas a prefeitura de Itaituba não teve condições de fazer aquisição da área com esse valor exorbitante. Após o insucesso nas negociações com a prefeitura o empresário que diz ser titular do terreno, deu entrada em uma liminar, o pedido de reintegração de posse foi derrubado, mas que agora o mesmo juntou algumas provas que ninguém sabe se é verdadeira ou não, mas que a justiça concedeu a reintegração. Os populares vão recorrer da decisão e a prefeitura se colocou à disposição para dialogar sobre o acontecido que em conversa já adiantou as dificuldades que o governo tem e vai ter durante esses 4 anos. Um dos moradores das proximidades, o senhor Pedro moura, de 64 anos, conta que já mora em Itaituba a mais de 45 anos e que há mais de dez anos o local vive em completo abandono. Ele conta que um dos motivos da invasão é a falta de moradia, pois já se inscreveu no projeto de habitação minha casa e minha vida, mais nunca conseguiu êxito.

Terreno antes da invasão, vista pela rua

Foto depois da invasão

De acordo com o advogado Joao de Barro, a população ocupante das terras, ainda exercerão o direito de defesa, os moradores alegam que a área ocupada se encontrava em situação de abandono, sem função social há mais de dez anos. Ele diz que ainda ocorrerá uma audiência inicial de justificação, e que todo esse processo judicial pode durar muitos anos.

Segundo FRED VIEIRA, um dos líderes de um dos movimentos que apoiam essa posse de terras, o MAB-movimento dos atingidos por barragens, o processo de ocupação na região do tapajós é consequência da forma desordenada como tem sido pregado o processo de crescimento e desenvolvimento na região. Ele afirma que esse crescimento desordenado contribui para o crescimento de ocupações que não são instantâneas, e que diante do abandono as pessoas estão sendo forçadas a chegar em uma área como essa, e ocupar, respaldado pela lei. Onde diz que, a área que não cumpre sua função social deve ser ocupada.

Terreno antes da invasão vista por dentro

“Tem que dar utilidade pública a essas áreas, outro processo histórico na região é que as as principais cidades foram crescendo a partir de ocupações urbanas ou “invasões” como popularmente as pessoas conhecem, foi aumentando dessa forma. Então para nós, essa luta por moradia ela é justa, ela é necessária, até porque não existe nenhum plano de desenvolvimento para essa região, onde a vida desses pais e mães de famílias possam melhorar, não tem, existem projetos, tem grandes obras voltadas pra cá, pra encher o bolso dos concentradores de dinheiro, inclusive o movimento surge da contradição da construção dos grandes projetos, das barragens especificamente ,onde  as famílias eram expulsas de suas casas tanto da área rural quanto da área urbana.”

Fred diz que a luta pela moradia é histórica, apesar de ser uma das garantias que está dentro da constituição federal, mas na prática ele afirma que elas não existem, que as ocupações já eram um processo iniciado bem anteriormente, não foi só na ocupação do Irajá nem na ocupação do km 5, é um processo que é longo, em várias outras regiões onde as pautas da moradia não são atendidas. O intuito do movimento é ajudar na organização dessas famílias, que são trabalhadoras e trabalhadores que geram riquezas para o país, mas que infelizmente não conseguem colocar a mão nessa riqueza, e tentam pelo menos conseguir um pedaço de chão, até porque a demanda das casas populares no município não atendeu todas as pessoas sem moradas fixas em Itaituba.

“O conflito com o proprietário da terra é natural  Se você tem uma área que se diz ser o suposto dono, e você não prova a posse disso, e alguém vai lá e ocupa porque tem a necessidade de ocupar pra fazer uma moradia.

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