Evandro Cunha dos Santos em audiência pública na cidade de Altamira (PA) - Reprodução

Novo chefe no PA diz que Ibama vai parar de queimar máquinas de garimpo ilegal

A declaração foi dada nesta segunda-feira (9) em audiência pública na cidade de Altamira (PA).

Evandro Cunha dos Santos em audiência pública na cidade de Altamira (PA) - Reprodução

O novo superintendente regional do Ibama, coronel da Polícia Militar Evandro Cunha dos Santos, que tomou posse na última quarta-feira (4), em Belém, afirmou ter recebido ordem para interromper a queima de veículos que são flagrados pela fiscalização do órgão cometendo crimes ambientais na Amazônia. A declaração foi dada nesta segunda-feira (9) em audiência pública na cidade de Altamira (PA) organizada pelo ruralista Nabhan Garcia que ocupa a Secretaria Especial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Para fiscais do Ibama, a fala de Santos coloca em risco servidores do órgão atualmente em operação no município de Altamira, campeão de desmatamento e de focos de incêndio no país. Desde o dia 27, o órgão ambiental embargou quase 20 mil hectares e destruiu equipamentos de infratores ambientais, principalmente na Terra Indígena Ituna/Itatá.

Santos foi nomeado para a chefia do Ibama paraense no último dia 2 pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Na semana passada, fiscais do Ibama, do ICMBio e agentes da Força Nacional fizeram uma grande operação de repressão a garimpos ilegais na floresta nacional Crepori, no Pará, e queimaram equipamentos, incluindo duas retroescavadeiras, encontrados operando dentro da área protegida por lei.

Na audiência, Santos afirmou: “Eu vim para essa responsabilidade indicado pelo próprio presidente Bolsonaro. Então, o ministro Ricardo Salles me chamou lá em Brasília, efetivou o convite e falou das problemáticas que estavam acontecendo aqui na região como um todo. Bom, quero dizer para vocês o seguinte: eu sou homem de Deus, e homem de Deus não gosta de fogo, quem gosta de fogo é Satanás. Quero dizer o seguinte: fiquem certo de que isso vai cessar. Vamos trabalhar diuturnamente para acabar com essa problemática de estarem danificando o patrimônio alheio”.

“Quero aqui só reforçar as palavras do nosso ministro Nabhan, que vamos trabalhar focados para as pessoas do mal, que fazem mal, mas o trabalhador merece respeito e terá o respeito do governo federal. […] E tenho certeza, o Ibama principalmente. Porque eu sou soldado e eu sei cumprir ordem. A ordem que eu recebi foi para parar com isso daí. Peço um voto de confiança, me deem um tempo que a gente vai resolver esse troço”, acrescentou.

A possibilidade de destruição dos equipamentos apreendidos é aventada na lei ambiental de 1998, governo Fernando Henrique Cardoso, e passou a ser melhor regulamentada e aplicada a partir de 2008, no segundo mandato de Lula.

“Se a lei foi malfeita, é porque alguém elegeu o senhor Lula. […] Nós vamos trabalhar um decreto-lei, com a força do Congresso Nacional, e com a força de vocês, que o pedido representa o pedido de todo mundo, vamos trabalhar então para ver a possibilidade dessa lei ser alterada”, disse Nabhan.

Outro participante da reunião foi o senador Zequinha Marinho (PSC-PA) que foi elegido para presidir a comissão, rompendo um acordo anterior que havia sido anunciado por Alcolumbre, segundo o qual o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) assumiria o comando do colegiado.

O senador afirmou que há pessoas sendo “humilhadas” no seu estado. “A humilhação é uma das piores coisas que a gente pode viver. O presidente da República tem recomendado ao Ibama, ao Exército e ao ICMBio que se evite fazer esse tipo de coisa. Lamentavelmente isso não tem ocorrido, há um decreto que permite, não determina, mas permite a inutilização do bem. Mas a maioria desses fiscais que andam pelo interior são esquerdistas e odeiam o presidente Bolsonaro. A humilhação que temos passado, porque quando vocês passam, todos nós passamos. Providências serão tomadas e gente será responsabilizada por aquilo que faz”, ameaçou o senador.

Outro participante da audiência pública, o prefeito de Uruará (PA) Gilson Bradão (MDB) atacou a demarcação de uma terra dos indígenas arara, a Cachoeira Seca. Ele quer a “revisão” dos limites da terra, que foi demarcada administrativamente em abril de 2016, no governo de Dilma Rousseff.

Fonte: Folha de São Paulo

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