O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como "inexplicável" a falta de "autoridade" do Conselho de Segurança das Nações Unidas em conduzir o governo de Israel a uma mesa de negociações. As declarações foram feitas na Cidade do México, nesta terça-feira (1), durante a cerimônia de posse da nova presidente do país, Cláudia Sheinbaum. Lula lamentou o comportamento do governo israelense e afirmou que "ao invés de só saber matar", o país deveria estar disposto a conversar. Segundo ele, a ONU não tem conseguido exercer sua "autoridade moral e política" em relação ao conflito.
Além disso, o presidente foi questionado sobre as ações do governo brasileiro para resgatar cidadãos nacionais que se encontram no Líbano. Em resposta, Lula afirmou que a repatriação será realizada "em todos os lugares que for preciso", sinalizando um compromisso do governo em proteger os brasileiros no exterior em meio a conflitos internacionais.
O tema da reforma do Conselho de Segurança da ONU foi destacado por Lula em discurso realizado anteriormente em Nova York, durante a Cúpula do Futuro da ONU. O presidente criticou a falta de representatividade do Sul Global no órgão e afirmou que instâncias multilaterais, como a Assembleia Geral e o Conselho Econômico e Social, têm perdido vitalidade e legitimidade. A reforma do Conselho de Segurança, que atualmente é composto por cinco membros permanentes (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França) com poder de veto, é uma das reivindicações mais antigas de Lula, que já defendeu o ingresso do Brasil como membro permanente durante seus dois primeiros mandatos.