Os bombeiros de Hong Kong encerraram, na manhã desta sexta-feira (28), as operações de combate ao incêndio que atingiu um complexo residencial e deixou ao menos 128 mortos — o maior número de vítimas registrado na cidade em três décadas. As chamas foram consideradas “amplamente extintas” às 10h18 no horário local (23h18 de Brasília), segundo informou o governo, que também confirmou o fim das buscas emergenciais.
Além das mortes já contabilizadas, 79 pessoas ficaram feridas, entre elas 12 bombeiros, um em estado grave. Cerca de 200 moradores continuam desaparecidos. Apenas 39 das vítimas foram oficialmente identificadas até o momento.
O incêndio começou na quarta-feira (26) e levou mais de 700 bombeiros a atuar por dois dias seguidos. O fogo se alastrou rapidamente entre as torres do condomínio Wang Fuk Court, na região de Tai Po, que reúne oito prédios de 31 andares. Uma das torres não foi atingida.
As autoridades afirmam que o incêndio pode ter se espalhado devido a telas de obras altamente inflamáveis e andaimes de bambu usados na reforma da fachada — materiais que, segundo a polícia, não atendiam aos padrões de segurança. Três homens ligados à empresa responsável pela obra foram presos por suspeita de homicídio culposo.
Durante coletiva, o secretário de Segurança de Hong Kong, Chris Tang, afirmou que será realizada uma investigação detalhada assim que o prédio estiver seguro para entrada da polícia. Ele não descarta a possibilidade de novos corpos serem encontrados.
Relatos de familiares ressaltam a angústia pela falta de notícias. “Só reconheço que alguma foto pode ser o corpo do meu pai. Ele ainda está desaparecido aqui”, disse Mirra Wong, de 48 anos, à Reuters.
O episódio ocorre após moradores denunciarem, no ano passado, falhas de segurança relacionadas às reformas. Na ocasião, autoridades classificaram o risco como “relativamente baixo”.
O incêndio é o mais mortal em Hong Kong desde 1948, quando 176 pessoas morreram em um depósito de petróleo. O presidente da China, Xi Jinping, enviou condolências às famílias e pediu esforços máximos para minimizar perdas.