O Instituto Politécnico de Rensselaer, de Nova York (EUA), está processando uma empresa de limpeza por conta de um caso surreal. Um faxineiro, irritado com o som de um dos equipamentos do laboratório, simplesmente desligou o congelador que mantinha, há 25 anos, culturas de células e outras amostras para estudos.
Prejuízo de R$ 6 milhões
O freezer funcionava a uma temperatura constante, ao ser desligado, a caiu a temperatura, inutilizando todo o material e causando um prejuízo de pouco mais de R$ 6 milhões.
O Rensselaer, considerado a primeira universidade de pesquisa tecnológica dos Estados Unidos, fundado em 1824, abriu um processo contra a empresa que terceirizou o faxineiro.
Placa explicando como desligar sinal sonoro foi ignorada
Segundo informações, no freezer havia uma placa explicando como desligar o sinal sonoro sem afetar o equipamento, mas foi ignorada. A equipe do laboratório, agora, percebe que, se avisos acabam nem sendo vistos na maioria das vezes, gastar cinco minutos dando instruções básicas em atenção aos funcionários teria evitado muita dor de cabeça e decepção.
O recado alertava que o equipamento estava "em reparo" e que "nenhuma limpeza era necessária", não sendo permitido "mover nem desconectá-lo".
O Instituto de Rensselaer está processando a empresa de limpeza Daigle Cleaning Systems. A instituição pede 1 milhão de dólares por danos e honorários advocatícios. O funcionário responsável por desligar o aparelho, no entanto, não é alvo da ação.
Segundo o processo, a culpa seria da Daigle Cleaning Systems por não treinar e supervisionar adequadamente o funcionário.
“O réu, por meio de sua supervisão e controle negligente, descuidado e/ou imprudente do [zelador], causou danos a certas culturas de células, amostras e/ou pesquisas no laboratório”, afirma a universidade.
O processo aponta que as culturas de células no freezer precisavam ser mantidas a -80ºC, e uma pequena flutuação de 3 graus já causaria danos. Por isso, os alarmes soariam se a temperatura aumentasse para -78ºC ou diminuísse para -82ºC graus.
Professor e diretor do Baruch '60 Center for Biochemical Solar Energy Research, que supervisionou a pesquisa, K.V. Lakshmi notou que o alerta do freezer disparou pela primeira vez em 14 de setembro de 2020, após a temperatura subir para -78°C. Apesar do alarme, Lakshmi e sua equipe determinaram que as amostras de células estariam seguras até que reparos de emergência fossem feitos.
Enquanto o reparo não ocorriam, Lakshmi providenciou travas de segurança ao redor do aparelho e colocou avisos para que a tomada não fosse desligada.
“ESTE CONGELADOR ESTÁ APITANDO PORQUE ESTÁ EM REPARO. POR FAVOR, NÃO MOVER NEM DESCONECTÁ-LO. NENHUMA LIMPEZA NECESSÁRIA NESTA ÁREA. VOCÊ PODE PRESSIONAR O BOTÃO DE SILENCIOSO DE ALARME/TESTE POR 5-10 SEGUNDOS SE QUISER SILENCIAR O SOM”, dizia o aviso, de acordo com o processo.
No dia 17 de setembro, o faxineiro ouviu o que chamou de "alarmes irritantes", segundo o processo, e desligou os disjuntores que controlavam o fornecimento de eletricidade ao freezer. O funcionário disse que a temperatura do freezer subiu para -32°C.
Os estudantes de pesquisa encontraram o freezer desligado no dia seguinte, e, apesar das tentativas de preservar a pesquisa, a maioria das culturas foi “comprometida, destruída e tornada irrecuperável, demolindo mais de vinte anos de pesquisa”.