Estoque de água e alimentos: cerca de 33 países têm orientações para enfrentar emergências, ataques cibernéticos e desastres naturais

Recomendações chegam a dez dias de suprimentos na Alemanha; no Brasil, Defesa Civil do Paraná orienta a preparar kit para situações de desastre.

Por Isabella Moraes

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Foto: Reprodução/Folha do Estado
Água, alimentos, medicamentos, documentos, rádio e lanterna estão dispostos ao lado de bolsas de emergência.

Em meio às tensões geopolíticas, aos conflitos militares e ao risco de desastres naturais e ataques cibernéticos, governos de diferentes países têm orientado a população a manter reservas de alimentos, água, medicamentos e outros itens essenciais para situações de emergência. Segundo levantamento da revista Newsweek, divulgado em 28 de outubro de 2026, pelo menos 33 países possuem recomendações desse tipo, com períodos de preparação que variam conforme as orientações de cada local.

A compilação reúne recomendações nacionais e locais, algumas sem duração definida. Não se trata de um anúncio simultâneo dos governos nem de um alerta conjunto sobre guerra iminente ou catástrofe prestes a acontecer: são medidas preventivas para diferentes situações de risco.

As orientações ganharam destaque em meio a tensões geopolíticas, conflitos militares e preocupações com desastres naturais e ataques cibernéticos. Esses cenários podem comprometer serviços essenciais, como abastecimento de água, energia elétrica, transporte e telecomunicações.

O objetivo da preparação doméstica é reduzir a vulnerabilidade das famílias nas primeiras horas ou nos primeiros dias de uma emergência. Nesse intervalo, o atendimento das autoridades e a recuperação dos serviços podem demorar, e os moradores precisam contar com os próprios suprimentos.

Reino Unido, França, Canadá e Japão orientam a manter reservas suficientes para pelo menos 72 horas. A recomendação se refere ao período que os suprimentos devem atender, e não a um prazo para que uma emergência aconteça.

Orientações reunidas no levantamento divulgado em 28 de outubro de 2026. Fonte: Newsweek

Na Suécia e na Noruega, a preparação pode cobrir aproximadamente uma semana. Na Alemanha, as autoridades recomendam reservas para até dez dias. Também aparecem no levantamento Estados Unidos, Austrália, Brasil, Argentina, Chile e Colômbia.

A Cruz Vermelha Britânica recomenda suprimentos para pelo menos três dias. A entidade inclui alimentos que possam ser consumidos sem preparo e água suficiente para esse período, permitindo atender às necessidades básicas mesmo quando o funcionamento dos serviços estiver comprometido.

Quais itens entram na preparação

As orientações de proteção civil abrangem alimentação, saúde, iluminação, comunicação e higiene. Além dos mantimentos, a preparação considera documentos e recursos que possam ser necessários quando uma emergência interromper o abastecimento ou dificultar o acesso a serviços.

  • Alimentação e água: alimentos não perecíveis e água potável.

  • Saúde e higiene: medicamentos de uso contínuo e produtos de higiene.

  • Iluminação e comunicação: lanternas, pilhas extras, rádio portátil e carregadores de celular.

  • Documentação e recursos: documentos pessoais e dinheiro em espécie.

A composição das reservas também deve considerar necessidades específicas de crianças, idosos, pessoas com deficiência e animais domésticos. Assim, a preparação não se limita a reunir alimentos: inclui os produtos essenciais para os diferentes integrantes da família durante o período de emergência.

União Europeia e Brasil

A União Europeia apresentou em 26 de março de 2025 uma estratégia de preparação para crises com 30 ações. Entre as recomendações está a capacidade de os cidadãos se manterem por pelo menos 72 horas sem depender de assistência externa imediata.

A estratégia europeia considera conflitos armados, ameaças cibernéticas, desastres climáticos e crises sanitárias. O planejamento, portanto, abrange diferentes causas de interrupção dos serviços essenciais, e não apenas situações de guerra.

No Brasil, a Defesa Civil do Paraná orienta a preparar um kit para saídas emergenciais em áreas sujeitas a desastres. A página com essa recomendação já estava publicada em 19 de março de 2024, antes do levantamento internacional de outubro de 2026.

O kit paranaense inclui água, alimentos não perecíveis, medicamentos, documentos, dinheiro, rádio e lanterna. A orientação considera situações como enchentes, deslizamentos e tempestades, que podem isolar comunidades e interromper serviços básicos, exigindo que os moradores tenham itens essenciais disponíveis para uma saída de emergência.

Fonte: folhadoestado.com.br