A delegação ucraniana chegou à área na fronteira com Belarus para negociações com a Rússia e as conversas já começaram, informou o governo da Ucrânia.
De acordo com um comunicado, a delegação inclui, entre outros, o ministro da Defesa, Oleksiy Reznikov, conselheiro do chefe do gabinete do presidente da Ucrânia, Mykhailo Podoliak, e o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Mykola Tochytskyi.
O presidente Volodymyr Zelensky não faz parte do grupo. O país exigiu um “cessar-fogo imediato e a retirada das tropas russas”, disse um comunicado da presidência ucraniana mais cedo.
Neste domingo (27), Zelensky recusou conversas com a Rússia em Belarus, afirmando que o país é cúmplice da invasão, mas deixou a porta aberta para negociações em outros locais. Em um acordo firmado mais tarde, os países optaram por se encontrar em uma região fronteiriça, perto do rio Pripyat, localizado ao norte do país ucraniano.
Alexander Lukashenko, presidente da Belarus, assumiu a responsabilidade de garantir que todos os aviões, helicópteros e mísseis estacionados em território bielorrusso permaneçam no solo durante a viagem, sem atividades.
Na última sexta-feira, em mensagem de vídeo, o presidente da Ucrânia pediu novamente conversas diretas com o líder russo Vladimir Putin. “Gostaria de me dirigir ao presidente da Federação Russa mais uma vez. Há combates em toda a Ucrânia agora. Vamos nos sentar à mesa de negociações para impedir a morte das pessoas”, disse Zelensky.
“Calmaria” em Kiev
A capital ucraniana teve uma noite “calma” neste domingo (27), disse o Conselho da Cidade de Kiev na manhã de segunda-feira (28) – mas as autoridades alertaram os moradores para permanecerem em casa enquanto os combates continuam.
“No geral, a noite passada foi calma, excluindo algumas brigas com grupos de sabotagem e reconhecimento. No entanto, a cidade estava ocupada preparando sua defesa. Veremos fortificações, armadilhas para tanques e outras estruturas defensivas que apareceram nas ruas de Kiev”, disse o conselho em comunicado.
Mercearias e transporte público em Kiev estão abertos desde as 8h, horário local, embora o metrô funcione com menor frequência do que o normal.
Batalha em Mariupol
De acordo com a agência de notícias Reuters, houve combates em torno da cidade portuária ucraniana de Mariupol durante a noite passada. A informação teria sido passada por Pavlo Kyrylenko, chefe da administração regional de Donetsk, pela televisão nesta segunda-feira (28).
Ele não disse se as forças russas ganharam ou perderam terreno e nem forneceu números de baixas.
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) convocou, neste domingo (27), uma reunião emergencial da Assembleia-Geral, com 193 países membros para tratar da invasão da Ucrânia pela Rússia.
Rublo cai 30% e Rússia sobe juros para 20% após enxurrada de sanções
A moeda da Rússia caiu para um recorde de baixa em relação ao dólar dos Estados Unidos nesta segunda-feira (28) como o sistema financeiro do país cambaleou por sanções esmagadoras impostas pelos países ocidentais.
O rublo perdeu mais de 30% de seu valor para ser negociado a 109 por dólar às 4h30 (horário de Brasília), após uma queda anterior de até 40%. O início das negociações no mercado de ações russo foi adiado.
O colapso da moeda fez com que a central russa voltasse a implementar medidas de emergência, incluindo um grande aumento nas taxas de juros de 9,5% para 20%.
Reunião emergencial da Assembleia-Geral da ONU
O encontro será realizado nesta segunda-feira (28), enquanto aliados ocidentais intensificam uma campanha diplomática para isolar Moscou.
A votação do conselho de 15 membros foi processual para que a Rússia não pudesse exercer seu veto. Uma resolução convocando a sessão da Assembleia Geral foi adotada com 11 votos sim. A Rússia votou contra, enquanto China, Índia e Emirados Árabes Unidos se abstiveram. O Brasil foi a favor.
Espera-se que a Assembleia-Geral vote uma resolução semelhante na quarta-feira (1º), disse a embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, ao Meet the Press da NBC neste domingo. Nenhum país tem direito a veto na Assembleia-Geral.
O que de mais importante aconteceu no final de semana
• O prefeito da cidade de Berdyansk, na costa sul da Ucrânia, disse que as forças russas entraram e assumiram o controle da cidade;
• A Ucrânia e a Rússia concordaram em realizar um encontro na segunda-feira (28) na fronteira com Belarus para discutir o conflito, segundo o presidente Volodymyr Zelensky;
• O Conselho de Segurança da ONU aprovou a convocação de uma reunião emergencial da Assembleia-Geral da organização;
• O Ministério de Relações Exteriores do Brasil anunciou que cerca de 100 brasileiros ainda estão na Ucrânia e 80 já saíram do país;
• A Ucrânia resistiu e repeliu ataques da Rússia, em especial contra a capital Kiev, de acordo com o presidente do país;
• EUA, União Europeia, Reino Unido, Canadá e Japão decidiram excluir a Rússia do Swift, um sistema global de pagamentos;
• A União Europeia estabeleceu uma série de sanções contra a Rússia, como o fechamento do espaço aéreo para aeronaves do país;
• Ao falar sobre a guerra na Ucrânia, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o país opta pela “neutralidade”;
• O chefe do diplomacia da UE, Josep Borrell, anunciou que o bloco fará novas sanções contra a Rússia na segunda-feira, com foco na elite do país;
• A segunda maior cidade da Ucrânia, Kharkiv, foi palco de uma nova investida russa, com a explosão de um gasoduto;
• A Fifa proibiu a Rússia de usar hino, bandeira e sediar jogos;
• Milhares de manifestantes se reuniram na Europa para protestar contra ataque russo à Ucrânia;
• O chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, anunciou que o país destinará mais de 2% do PIB para defesa;
• O governo ucraniano anunciou o fechamento de fronteiras com a Rússia e Belarus;
• Países da Europa anunciaram o envio de reforços e armas para a Ucrânia em meio à invasão da Rússia;
• Um prédio residencial em Kiev foi atingido por um míssil, em meio à investida russa contra a cidade;
• A Casa Branca cobrou da China uma condenação à invasão da Ucrânia pela Rússia.
Polícia russa prende mais de 2 mil manifestantes
A polícia deteve mais de 2 mil pessoas em protestos na Rússia contra a invasão à Ucrânia neste domingo (27). Segundo um grupo de monitoramentos de protestos, as manifestações foram registradas em 48 cidades de todo o país.
Desde o início da operação militar, mais de 5.500 foram presas, de acordo com o monitor OVD-Info, que há anos documenta repressão à oposição russa.
Dentre os presos, um repórter do canal de televisão independente Dozhd que não conseguiu convencer os policiais mostrando seu credenciamento e colete de imprensa.
Nos protestos em Moscou, o número de agentes de segurança frequentemente superava a quantidade de manifestantes.
Milhares participam de protestos em Berlim contra a guerra na Ucrânia
Milhares de pessoas em Berlim, capital da Alemanha, ocupam as ruas em manifestação contra a guerra na Ucrânia ocasionada após a invasão da Rússia.
Mais de 100 mil pessoas se reúnem no parque Tiergarten, localizado no centro da capital alemã, e em frente do Portão de Brandemburgo, localizado na Pariser Platz. Cartazes com corações decorados pela bandeira da Ucrânia, símbolos da paz e placas, além de dizeres, como “stop, Putin” (Pare Putin) são levantados pelos manifestantes.
As manifestações acontecem no mesmo dia em que o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, afirmou ao Parlamento alemão que destinará mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) para defesa e que irá entregar armamentos para que a Ucrânia se defenda do ataque russo. Uma manifestação contra a guerra na Ucrânia também aconteceu em Madri, na Espanha. Outros países, como a França, Inglaterra e o Brasil, também tiveram manifestações a favor da Ucrânia.
Ministério do Interior ucraniano atualiza número de civis mortos
O número de pessoas mortas na Ucrânia após a invasão russa é de 352 civis, afirmou o Ministério do Interior da Ucrânia neste domingo.
Pelo menos 14 dos mortos são crianças, segundo o ministério. Outras 1.684 pessoas, incluindo 116 crianças, ficaram feridas.
Ainda neste domingo, Oleksandr Svidlo, prefeito interino da cidade de Berdyansk, na costa sul da Ucrânia, disse que as forças russas entraram e assumiram o controle da cidade.
Berdyansk, que tem uma pequena base naval, tem uma população de cerca de 100 mil habitantes.
O prefeito disse que os funcionários foram solicitados a continuar trabalhando, “mas sob o controle de homens armados. Considero esta proposta inaceitável, então nós, como todos os membros do quartel-general operacional, deixamos o prédio do comitê executivo”.
União Europeia anuncia envio de armas para a Ucrânia
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e Josep Borrel, chefe da diplomacia da União Europeia (UE), anunciaram neste domingo que o bloco enviará armas para a Ucrânia.
“Pela primeira vez, a UE financiará a compra e entrega de armas e equipamentos a um país sob ataque”, afirmou Von der Leyen. Mais cedo, a Alemanha havia anunciado que cederá armas para a Ucrânia
“É nosso dever fazer o possível para apoiar a Ucrânia em sua defesa contra o exército invasor de Putin. Por isso, estamos entregando mil armas antitanque e 500 mísseis Stinger para nossos amigos na Ucrânia”, informou o chanceler alemão Olaf Scholz, pelo Twitter.
A União Europeia também irá banir voos, impor novas sanções a Belarus e proibir canais de propaganda russos. As medidas são uma retaliação ao governo do presidente Vladimir Putin, que nesta semana iniciou uma invasão contra o território da Ucrânia.
“Primeiro, estamos fechando o espaço aéreo da UE para aeronaves de propriedade russa, registradas na Rússia ou controladas pelo país. Elas não poderão pousar, decolar ou sobrevoar o território da União Europeia”, disse. “Incluindo os jatos particulares dos oligarcas”.
Dessa forma, o espaço aéreo da União Europeia estará fechado para a Rússia.
Putin ordenou que seu comando militar coloque unidades que incluem armas nucleares em alerta máximo. Putin citou como argumento “declarações agressivas” de líderes da Otan e sanções econômicas contra Moscou.
“Como você pode ver, não só os países ocidentais tomam medidas hostis contra nosso país na dimensão econômica – quero dizer as sanções ilegais que todos conhecem muito bem –mas também os altos funcionários dos principais países da Otan se permitem fazer declarações agressivas ao nosso país”, disse Putin na televisão estatal.
Outra medida também será tomada pela União Europeia. Ursula declarou que as estatais russas Today e Sputnik, e suas subsidiárias, “não poderão mais espalhar suas mentiras para justificar a guerra de Putin”.
Itamaraty anuncia envio de funcionários a Varsóvia para auxiliar brasileiros
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou neste domingo (27) o envio de oito funcionários para Varsóvia, cidade na Polônia que tem recebido pessoas que fugiram da Ucrânia, incluindo brasileiros.
O objetivo, segundo a pasta, é auxiliar os brasileiros que estão na cidade. A recomendação é que brasileiros próximos à fronteira entre Ucrânia e Polônia entrem em contato com o plantão do Itamaraty em Varsóvia, pelo número de telefone +48608094328.
Em nota, o Itamaraty informou que os servidores “já estão a caminho” de Varsóvia.
Pelo Twitter, o presidente Jair Bolsonaro informou que 37 brasileiros e dois uruguaios chegaram à embaixada do Brasil na Romênia após partir de Kiev, e que todos estão bem de saúde.
Entre os integrantes do grupo estão alguns jogadores do time de futebol ucraniano Shaktar Donestky e seus familiares.
Segundo o presidente, o grupo recebeu “apoio integral” da União das Federações Europeias de Futebol (Uefa), que custou os custos de transporte rodoviário e de hospedagem na capital romena, Bucareste.