Protestos contra o custo de vida e por melhores condições na educação reuniram centenas de milhares de pessoas na França neste sábado (31). As marchas foram predominantemente pacíficas à tarde, mas terminaram com confrontos e carros incendiados.
A tensão aumentou quando os participantes começaram a deixar os locais das manifestações. Houve episódios em Paris, Lyon, Toulouse e Marselha, como informou o g1.
As marchas reuniram estudantes do ensino médio e universitários, sindicatos e integrantes do movimento dos Coletes Amarelos. Além das reivindicações ligadas à educação, os participantes protestaram contra a inflação e os preços dos combustíveis e fizeram críticas ao governo do presidente Emmanuel Macron.
Confrontos no encerramento
Em Paris, a polícia dispersou pequenos grupos de manifestantes no fim da marcha. Grupos mascarados lançaram objetos contra os agentes, e ao menos um artefato incendiário foi arremessado contra as forças de segurança. Também houve incêndio em veículo na capital francesa.

Em Lyon, policiais usaram gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes. O recurso também foi empregado em Toulouse, no sudoeste do país. Em Marselha, houve tensão durante manifestações não autorizadas, em meio à jornada nacional de protestos.
O governo mobilizou cerca de 70 mil policiais e agentes da gendarmaria para acompanhar os atos e evitar novos episódios de violência.
As autoridades temiam a coincidência dos protestos com o Halloween. A preocupação era que máscaras e fantasias fossem usadas para esconder a identidade de pessoas envolvidas em confrontos.

Reivindicações dos estudantes
A mobilização estudantil começou em setembro. Segundo a Reuters, as reclamações incluem escolas deterioradas, salas de aula superlotadas e dificuldades de acesso à universidade.
Balanços de participação e detenções
O Ministério do Interior francês contabilizou 320 mil manifestantes em todo o país, incluindo 70 mil em Paris. Já a coalizão sindical da juventude, que reúne sindicatos e associações estudantis, estimou aproximadamente 500 mil participantes, dos quais 200 mil estavam na capital.

Pelo balanço do governo, a participação nacional ficou abaixo das duas mobilizações anteriores. A série do Ministério do Interior mostra uma redução no público entre o protesto de 17 de outubro, o sábado seguinte e os atos deste sábado.
O Ministério do Interior também informou que mais de 500 pessoas foram detidas em todo o país.