Pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), e estrangeiros (USA e Suíça) descobriram que aproximadamente 60% dos tatus que vivem nas florestas do oeste do Pará estão contaminados com Mycobacterium leprae, a bactéria causadora da hanseníase.
E ainda: a manipulação do animal pode ser uma forma de contrair a doença. De acordo com Moises Silva, pesquisador do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) e que desde 2009 estuda o tema, vários municípios no interior do estado do Pará foram visitados, incluindo Belterra, que assim como em outros municípios, foram diagnosticados casos da doença. Mostramos que o estado do Pará apresenta uma endemia oculta da doença, com muitos casos ainda por serem diagnosticados.
O que é hanseníase e de onde ela veio? O professor explica que: “A hanseníase é uma doença infecciosa de contaminação respiratória. É causada por uma bactéria que veio, inicialmente, da África e chegou à Europa, 700 anos a.C. (antes de Cristo)."
“Consumir carne de caça é um costume entre as comunidades tradicionais. Quem mora nessas comunidades consumirá essa carne por falta de outra fonte de proteína. O risco de se contaminar com a bactéria aumenta quando se manipula/come o tatu mais de uma vez no mês”, esclarece Moises Silva.
A doença se manifesta lentamente. Há casos de exposição de dois à dez anos até o indivíduo desenvolver os primeiros sinais. O principal sintoma clínico da hanseníase são manchas mais claras que o tom da pele do indivíduo e que possuem alteração de sensibilidade. O paciente sente como se a pele estivesse dormente. Alguns não sentem o toque, dores e até mesmo alterações de temperatura na pele.
Moises Silva reforça que os tatus não são os principais transmissores da hanseníase, mas há uma chance maior de ficar doente com o consumo de sua carne. A ausência de diagnóstico da doença não significa ausência da doença. Muitos pacientes não têm acesso ao sistema de saúde e simplesmente não são diagnosticados e, mesmo quando tem acesso, não são diagnosticados imediatamente. Falta treinamento para diagnosticar e tratar a hanseníase, especialmente nas suas formas mais iniciais.