Rio Solimões registra nível mais baixo da história e seca extrema ameaça cidades no Amazonas

Na cidade de Tabatinga, situada na calha do Alto Solimões, o rio chegou à cota de -0,94 metro, um valor inédito. Cidades como Benjamin Constant e Atalaia do Norte, que dependem do rio para o transporte de alimentos e remédios, estão sob risco de isolamento completo.

Por Portal Giro

Foto: Reprodução

O Rio Solimões atingiu, na sexta-feira (30), o nível mais baixo já registrado desde o início das medições pelo Serviço Geológico Brasileiro (SGB). Na cidade de Tabatinga, situada na calha do Alto Solimões, o rio chegou à cota de -0,94 metro, um valor inédito. Essa marca negativa é resultado de uma vazante tão severa que o rio está abaixo da régua de medição. Os dados revelam que a região enfrenta a pior seca dos últimos 40 anos.

O Rio Solimões, dividido em três calhas (Alto, Médio e Baixo Solimões) ao longo do Amazonas, segue sua trajetória do interior do estado até as proximidades de Manaus. Com a seca severa no Alto Solimões, espera-se que a situação piore nas calhas Média e Baixa, à medida que o rio desce. Apenas nas últimas 24 horas, o nível do rio desceu mais 16 centímetros, e, devido à intensidade da estiagem, o SGB planeja instalar uma nova régua em Tabatinga na próxima semana, que poderá medir até -2 metros, algo nunca antes necessário.

A cota atual de -0,94 metro já ultrapassou os recordes anteriores. Em 2010, durante uma seca intensa, o nível do rio chegou a -0,86 metro em 11 de outubro, e no ano passado, o nível foi de -0,76 metro em 23 de outubro. Contudo, ao contrário dessas medições, que ocorreram no final do ciclo de vazante, o nível atual foi registrado no início de setembro, sugerindo que a situação se agravará ainda mais até o fim do período de estiagem, previsto para outubro.

A seca extrema tem causado complicações severas para as comunidades ribeirinhas, com impacto direto na economia e no abastecimento de municípios que dependem do Rio Solimões para o transporte de mantimentos essenciais. Cidades como Benjamin Constant e Atalaia do Norte, que dependem do rio para o transporte de alimentos e remédios, estão sob risco de isolamento completo.

Segundo Ricelly Dacio, secretário-executivo de Defesa Civil de Benjamin Constant, a situação já afeta diretamente o abastecimento de produtos essenciais. "Os preços de produtos como a água estão subindo de forma alarmante, pois os barcos que transportam mantimentos estão evitando carregar galões devido ao baixo valor comercial. A situação já é crítica, com acidentes de embarcações encalhadas no fundo do rio", relata Dacio. As autoridades locais estão focadas em fornecer ajuda humanitária, com a distribuição de cestas básicas e manutenção de purificadores de água, em meio a uma escassez atípica e intensa.

Com a previsão de que o nível das águas continue caindo até o fim de outubro, o cenário de seca extrema no Amazonas parece estar longe de se estabilizar.

Veja a publicação no Instagram

Fonte: Giro Portal