Quase um milhão de tartarugas nascem no Tabuleiro de Monte Cristo, às margens do rio Tapajós, no Pará

A tartaruga-da-Amazônia é a principal espécie da região, desovando apenas em locais específicos, como o tabuleiro de Monte Cristo. Entre o final de 2023 e o início de 2024, observou-se o nascimento de 931.886 filhotes dessa espécie, juntamente com 1.400 filhotes de tracajá e 486 de pitiú.

Por Portal Giro

Foto: Reprodução

O final de 2023 e início de 2024 foram marcados por um evento extraordinário no Tabuleiro de Monte Cristo, localizado às margens do Rio Tapajós. O Programa Quelônios da Amazônia (PQA), gerido pelo Ibama, celebrou o nascimento de 931.886 filhotes de tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa), 1.400 de tracajá (Podocnemis unifilis) e 486 de pitiú (Podocnemis sextuberculata), um resultado significativo para os esforços de conservação da região.

Este sucesso se deve ao trabalho contínuo do PQA, ativo desde 1979, e à participação comunitária. Durante os meses de outubro e novembro, milhares de fêmeas dessas espécies nidificam nas praias do André e do Tabuleiro, com a eclosão ocorrendo após 60 dias. A tartaruga-da-Amazônia, espécie principal, desova exclusivamente em locais específicos como o Tabuleiro de Monte Cristo, enquanto as outras espécies se espalham pelo rio Tapajós.

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O monitoramento do PQA ao longo de cerca de 45 anos contribuiu para a recuperação notável da tartaruga-da-Amazônia, passando de apenas 327 fêmeas para os expressivos números atuais. Desde o início do programa, mais de 21,2 milhões de quelônios foram soltos no rio Tapajós, consolidando o esforço de conservação.

Apesar dos resultados positivos, o coordenador do PQA, Roberto Lacava, sinaliza preocupações para o ano atual devido à influência do El Niño, que pode impactar negativamente as eclosões. Além dos desafios climáticos, a região enfrenta a ameaça de predadores naturais e do comércio ilegal de quelônios.

O programa também se beneficia do apoio das comunidades locais e da pesquisa científica realizada pela Universidade do Oeste do Pará. Um aspecto crucial do financiamento do PQA vem da conversão de multas ambientais, uma prática na qual infratores investem em ações de conservação em vez de pagar multas, somando mais de R$ 1 milhão nos últimos anos.

Fonte: Conexão Planeta