Trabalhando na área educacional há 13 anos, o professor itaitubense Erlison Albuquerque, de 38 anos, foi vítima de Bullying cometido por alguns alunos em sala de aula por ter deficiência nos braços – problema congênito conhecido como redução dos membros superiores.
As situações desconfortantes ocorreram há cerca de três semanas por alunos do ensino fundamental da Escola Municipal Ubaldo Corrêa, em Santarém, no oeste do Pará.
Erlison diz que nunca tinha passado por situações similares durante a vida profissional. Entretanto, o professor passou a perceber que alguns alunos estavam imitando gestos e riam das limitações físicas. “Na primeira vez eu chamei a direção, expliquei a situação. Achei que fosse resolver”, disse.
Com o passar dos dias e com as cenas se repetindo, Erlison contou que ficou abalado, pois percebeu que era em relação a deficiência. “A gente se sente angustiado, se sente mal, é terrível. Eu me senti péssimo, não conseguia comer. Somos seres humanos, sentimos as coisas”, contou.
Novamente o caso foi levado à direção escolar e os alunos envolvidos vão passar por medidas socioeducativas. Um Boletim de Ocorrência também foi registrado para respaldo.
Uma reunião realizada com pais, alunos, corpo técnico e representantes da Associação de Deficientes Físicos de Santarém (Adefis), tratou o tema sobre respeito às diferenças, inclusão e combate ao preconceito. Os pais e alunos envolvidos pediram perdão ao professor.
Em Itaituba, Erlison é mais conhecido pelo apelido de "Lica 10" e já deu aulas em escolas como Magalhães Barata, Castelo Branco, Isaac Newton, Djalma serique, Manancial do Saber, Padre José de Anchieta e Barão do Rio Branco. Ele mora em Santarém desde 2010.
‘Educação pode mudar o mundo’
Erlison luta diariamente vencendo os obstáculos. Para ele, as formas de preconceito se dão pela falta de conhecimento de vida, da realidade das outras pessoas, e a melhor maneira de pôr fim a essa realidade é através da educação.
“Eu, como educador, tenho que combater de frente, não posso deixar me abater, e tenho que solucionar o problema para que os jovens construam um mundo melhor. Somos todos diferentes. A educação pode mudar o mundo, e esse é meu trabalho”, ressaltou.
As mensagens de apoio estão sendo inúmeras e Erlison se sente muito feliz com as conquistas que já teve na vida, inclusive em relação aos amigos, professores, família e alunos em formação e ex-alunos formados.