Os consumidores brasileiros devem continuar a sentir o impacto do aumento nos preços da carne bovina até o final de 2024, de acordo com especialistas. Fernando Iglesias, coordenador de Pecuária e Setor Carnes da SAFRAS & Mercado, destacou que a alta nos preços deve se manter, impulsionada por diversos fatores climáticos e econômicos.
Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, apenas em setembro, os preços da carne bovina registraram um aumento de 2,97%. As causas principais incluem o clima seco, a escassez de chuvas e as queimadas que afetam várias regiões do país, resultando em menor oferta da proteína animal e, consequentemente, em preços mais altos para o consumidor.
Embora os reajustes no atacado já sejam significativos, o reflexo no varejo ainda é moderado. No entanto, Iglesias alerta que essa diferença não deve durar muito, e os consumidores devem sentir, em breve, o impacto das elevações nos preços da carne nas gôndolas. "Essa pressão nos preços deve se refletir em breve, afetando os padrões de consumo da população brasileira", afirmou.
Entre os cortes mais afetados, o contra-filé lidera o aumento, com uma elevação de 3,79% em setembro. Outras carnes, como porco e cortes populares como o patinho e a costela, também registraram alta de cerca de 3%.
A arroba do boi gordo, que em janeiro deste ano custava R$ 249,65, fechou setembro em R$ 255,45, um aumento de 2,32%, segundo o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A expectativa é de que os preços sigam em trajetória ascendente. "Iniciamos outubro com uma tendência bastante agressiva. Há altas explosivas nos preços da arroba do boi gordo em diversas regiões do país, de norte a sul", afirmou o analista.
Esse cenário também pode alterar os hábitos de consumo dos brasileiros, que devem buscar alternativas mais acessíveis, como as carnes de frango e de porco. No entanto, essas proteínas também devem sofrer com o aumento da demanda, o que pode levar a novos reajustes de preços, segundo a avaliação de Iglesias.
Diante desse cenário, especialistas recomendam que os consumidores fiquem atentos às variações de preço e explorem diferentes opções para driblar os aumentos, já que a tendência de alta pode se estender até o final do ano.