Preço do café dispara e previsão indica novos aumentos

Valor fechou R$ 2.301,60 a saca de café arábica de 60 quilos no dia 27 de janeiro, aumento de 6,8%. Série histórica de registros de preços da Esalq-USP começou em 1997

Por Portal Giro

O café se tornou o campeão de reclamações dos consumidores brasileiros. Desde janeiro de 2024, o valor da saca de café arábica disparou de R$ 990 para quase R$ 2.400, um aumento superior a 140%. E as previsões indicam que a alta deve continuar nos próximos meses.

A principal razão para o encarecimento do produto é a queda na produção. Para 2025, a estimativa aponta para uma safra menor, com redução de milhões de sacas em relação ao ano anterior. O fenômeno é resultado de uma combinação de fatores: seca prolongada, calor intenso e o ciclo natural do café, que alterna períodos de alta e baixa produtividade.

Outro fator que pressiona o mercado é a exportação recorde do grão. Com menos café disponível para o consumo interno, os preços seguem em elevação. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, até 27 de janeiro, o indicador de preços do café arábica tipo 6 atingiu o maior patamar da série histórica, com valor médio de R$ 2.301,60 por saca de 60 kg – um acréscimo de 6,8% em relação a dezembro de 2024.

O café arábica, variedade mais produzida e consumida no Brasil, é apreciado pelo sabor diferenciado, mas sua sensibilidade às condições climáticas torna a produção suscetível a oscilações. A escassez de oferta também se reflete no mercado internacional, impulsionando as exportações brasileiras. De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), nos primeiros cinco meses da safra 2024/2025, o país já exportou 22 milhões de sacas – quase metade do volume total embarcado na temporada anterior.

A valorização do dólar frente ao real, aliada à forte demanda externa, tem contribuído para essa alta. Especialistas alertam que a tendência é de continuidade no aumento dos preços, agravando o impacto no bolso do consumidor.

Fonte: G1