A Polícia Civil de Goiás investiga dois casos envolvendo indivíduos que teriam se passado por conselheiros tutelares para tentar retirar crianças de suas famílias, nos municípios de Jaraguá, na região central, e Posse, no nordeste do estado. Em ambos os casos, os suspeitos — um casal ainda não identificado — teriam se apresentado nas residências alegando a existência de denúncias de maus-tratos e exigido a entrega das crianças.
De acordo com as autoridades, os episódios seguem um padrão semelhante de abordagem, o que levantou a suspeita de que possam estar conectados. Segundo a delegada Luana Alves, de Posse, as duas delegacias estão compartilhando informações e investigando em conjunto. "Chamou a atenção porque é o mesmo modus operandi, que é um casal abordando mães que são mais jovens", explicou. Apesar da distância entre as cidades, a polícia não descarta relação entre os casos.
Em Posse, duas tentativas foram registradas — uma no dia 15 de abril e outra no dia 29. As vítimas, mães adolescentes de bebês, relataram que os suspeitos alegaram atuar pelo Conselho Tutelar, mas não apresentaram qualquer documento oficial. Uma das jovens afirmou que o casal mencionou uma denúncia de choro contínuo do bebê e pediu que ela entregasse a criança. A adolescente recusou e ameaçou acionar a polícia, fazendo com que os suspeitos deixassem o local.
Situação semelhante foi registrada em Jaraguá, na segunda-feira (28), quando uma mãe procurou o Conselho Tutelar após ser abordada por um casal que usava uniforme e apresentou um documento supostamente emitido pela Justiça local. De acordo com o delegado Glênio Alves, os suspeitos tentaram levar a criança à força, o que resultou em uma luta corporal. A mãe resistiu e o casal fugiu. A tentativa foi registrada como sequestro e as investigações estão em andamento.
As autoridades alertam a população sobre a atuação dos falsos conselheiros. Em nota, a Delegacia Regional de Posse orientou que, diante de situações semelhantes, os moradores não permitam a entrada de desconhecidos nas residências e entrem em contato imediato com o Conselho Tutelar ou com a Polícia Civil e Militar.
Até o momento, os suspeitos não foram identificados. As investigações buscam reunir informações sobre a identidade do casal e a motivação por trás das ações. "A nossa prioridade é identificar quem seria esse casal para poder especificar melhor qual seria o crime que eles estão cometendo", destacou a delegada Luana Alves.