O piloto Armando Palla Junior, de 57 anos, morador de Itaituba, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva após ser detido no último dia 2 pela Polícia Federal (PF) no Aeroporto Internacional de Boa Vista (RR). Ele pilotava uma aeronave na qual foram encontradas 54 barras de ouro, somando 51,49 kg, além de uma arma de fogo e munições. A aeronave havia decolado de Itaituba, no Pará.
Segundo a PF, Armando estava acompanhado do sargento aposentado do Exército João Heriberto Ferreira dos Santos, de 55 anos, do empresário Rychael Castro Gonçalves, de 32 anos, e de um adolescente de 17 anos. A polícia acredita que o grupo possa estar envolvido em um esquema de transporte irregular de ouro. A carga apreendida foi avaliada em cerca de R$ 36,8 milhões, conforme cotação do Banco Central.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que participou da ação integrada, informou que a aeronave foi flagrada realizando transporte clandestino de passageiros e cargas, o que motivou a apreensão do avião e a suspensão das habilitações do piloto. Inicialmente, o plano de voo indicava pouso na pista da Fazenda Timbó, em Boa Vista, mas a mudança de rota levantou suspeitas e resultou na intervenção.

Em nota, a defesa do piloto declarou que Armando “não é proprietário do ouro, não atua em garimpo, não integra organização criminosa e desconhecia que algum passageiro portava arma de fogo”. Os advogados afirmam que o plano de voo foi devidamente registrado e negam qualquer pouso clandestino. Também afirmaram que o piloto colaborou com as autoridades e não possui antecedentes relacionados aos crimes investigados.
Sobre a conversão da prisão em preventiva, a defesa disse respeitar, mas discordar da decisão. “Armando foi contratado apenas para realizar o voo e reúne condições para responder ao processo em liberdade, pois não apresenta risco à sociedade e não interferiu nas investigações”, destacaram, informando que buscarão sua liberdade “por todas as vias legais”.
A defesa de Rychael e João Heriberto afirmou que as acusações “não são verdadeiras” e que manifestações ocorrerão apenas nos autos do processo.
De acordo com a PF, os detidos podem responder por usurpação de bem da União, extração ilegal de recursos minerais, associação criminosa e corrupção de menores.