O Pará tem uma rodovia federal com pontos de bloqueios parciais na manhã desta quinta-feira (3), informou a Polícia Rodoviária Federal (PRF). São seis pontos de interdição na BR-163 em Itaituba e outras três cidades - veja a lista mais abaixo.
Este é o quarto dia de atos anti-democráticos de apoiadores do atual presidente Jair Bolsonaro (PL) contra o resultado das eleições nas rodovias paraenses e o primeiro dia sem rodovias totalmente bloqueadas. Paragominas (foto abaixo) foi um dos locais com bloqueio total de segunda até quarta.
Nesta quinta (3), nos bloqueios parciais na BR-163, veículos de emergência e viaturas conseguem passar, sem interrupções. "Pontualmente, o fluxo é liberado por um tempo" para todos veículos e bloqueado novamente, voltando a ficar restrito para emergência e viaturas, segundo a PRF.
Na manhã de quarta-feira (2) eram 20 bloqueios em sete rodovias e foram diminuindo ao longo do dia, em diferentes regiões. A BR-155 (foto acima), em Marabá, foi uma das que ficou interrompida e foi limpa e totalmente liberada ainda na quarta.
A Polícia Federal do Pará informou que há um inquérito instaurado envolvendo bloqueios em rodovias na cidade de Marabá, sudeste do Pará. Não foram informados detalhes sobre a investigação.
Em Altamira, no sudoeste, quatro pessoas apontadas como lideranças responsáveis por bloqueios foram presas pelo crime de desobediência. Todos foram soltos logo depois. Eles devem responder responder em liberdade a Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).
A Polícia Rodoviária Federal informou ao longo dos bloqueis que está “empregando o seu efetivo em ações e atuando com o policiamento reforçado nos pontos de bloqueio desde o início das manifestações”.
De acordo com a PRF, o órgão segue na liberação dos pontos de interdição “por meio de negociação com manifestantes e, se necessário, da utilização de força proporcional, suficiente para o resguardo da ordem pública e do cumprimento da determinação judicial”.

Em Paragominas, no Pará, PRF e PM avisam manifestantes sobre decisões judiciais para desbloqueio e uso da força, em caso de descumprimento. (Foto: Reprodução/PRF)
Veja os locais com bloqueios nas vias federais do Pará:
BR-163:
• km 110, Cachoeira da Serra (distrito de Altamira) - interdição parcial, com passagem de veículos de emergência e policiais
• km 159, Castelo dos Sonhos (distrito de Altamira) - interdição parcial, com passagem de veículos de emergência e policiais
• km 312, Novo Progresso - interdição parcial, com passagem de veículos de emergência e policiais.
• km 410, Itaituba - interdição parcial, com passagem de veículos de emergência e policiais.
• km 575, Itaituba - interdição parcial, com passagem de veículos de emergência e policiais
• km 774, Rurópolis - interdição parcial, com passagem de veículos de emergência e policiais
Bloqueios afetaram serviços no Pará
As viagens intermunicipais de ônibus foram afetadas, segundo o Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário Intermunicipal de Passageiros do Pará (Setipep). Muitos passageiros adiaram viagens ou desistiram devido às interdições das rodovias.
Cerca de 60% das linhas pararam na terça e na quarta-feira. Nesta quinta, o sistema está operando com 90% da capacidade, mas ainda com demanda muito fraca.
O vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Marcio Milan, afirmou que há falta de produtos no Pará, em outros seis estados brasileiros e no Distrito Federal. Mais de 70% dos supermercados nestes estados apresentam problemas de abastecimento por conta dos bloqueios de bolsonaristas nas rodovias do país.
No Pará, a Associação Paraense de Supermercados (Aspas) informou que o abastecimento de perecíveis, principalmente dos chamados FLV (frutas, legumes e verduras) sofre um impacto imediato, pois a maioria vem do Sul e Sudeste do Brasil. No entanto, não foi detalhado quais as regiões do estado mais afetadas.
Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou para o risco eminente de desabastecimento de combustíveis, caso as rodovias fiquem bloqueadas. A CNI informou ainda que as indústrias já sentem impactos no escoamento da produção e que as paralisações já atingiram transporte de cargas essenciais, como equipamentos e insumos para hospitais, que chegou a ocorrer em outros estados.
No Pará, a Secretaria de Estado da Saúde (Sespa) informou que não foi notificada sobre falta de insumos nos hospitais.
Em Marabá, o bloqueio na BR-155 obrigou uma universidade a suspender aulas e afetou temporariamente até o despejo de lixo pela prefeitura. Em Belém, o atendimento na Unidade Estratégia Saúde da Família, do Souza, chegou a ser interrompido em consequência do protesto na av. Almirante Barroso.
Decisões judiciais determinaram a liberação da via ainda na segunda-feira (31), mas as rodovias seguiram bloqueadas.
Na quarta, o governo anunciou o uso da Polícia Militar para desbloqueio das vias. A Tropa de Choque da Polícia Militar (PM) entrou em ação em Marabá e em Belém, tirando bolsonaristas da Avenida Almirante Barroso. Nesta quinta-feira de madrugada, alguns manifestantes continuavam no local, mas não interrompendo o trânsito de veículos.