O violonista Sebastião Pena Marcião, artisticamente conhecido como Sebastião Tapajós, morreu neste sábado (02) em um hospital particular, em Santarém, oeste do Pará, vítima de um infarto agudo miocárdio. O músico consagrado no Brasil e na Europa tinha 79 anos de idade.
Consagrado nas casas de espetáculos da Europa, ele lançou uma série de LPs, solos e com grupos e tocou com artistas da MPB como Hermeto Pascoal, Jane Duboc, Waldir Azevedo, Paulo Moura, Sivuca e Maurício Einhorn. Entre os astros internacionais com queme se apresentou estão o saxofonistas Gerry Mulligan e Paquito D'Rivera, o bandoneonista e mestre do tango Astor Piazzolla e o pianista Oscar Peterson.
Nascido em Santarém, Sebastião aprendeu violão com o pai e começou a tocar profissionalmente os 10 anos de idade no conjunto de baile Os Mocorongos. Depois de estudar música em Belém, Rio de Janeiro e Lisboa (onde formou-se pelo Conservatório Nacional de Música), ele se fixou no Rio, começou a se aprofundar na música folclórica brasileira e lançou seu primeiro LP solo "Violão e Tapajós", lançado pela Philips.
Em 1971, Sebastião Tapajós realizou, junto com Paulinho da Viola e Maria Bethânia, uma turnê pela Europa que depois virou LP ("Nova bossa nova", de 1972). Enquanto se apresentava pelos palcos do mundo, lançava LPs como "Guitarra Fantástica" (1974, que levou o prêmio do Disco Estrangeiro Mais Vendido no Ano pela RCA da Alemanha), "Guitarra Latina" (1975), "Terra" (1976), "Clássicos da América do Sul" (1977), "Guitarra & amigos" (1977) e "Xingu" (1979).
Em 1979, o violonista começou a levar músicos brasileiros para tocar com ele no exterior, como o gaitista Maurício Einhorn, Joel do Bandolim, os percussionistas Pedro Sorongo e Djama Correia, além do Zimbo Trio, que atuou em turnês de Sebastião ao longo de dois anos.
Sempre ligado à cultura e aos sons da Amazônia, o violonista realizou, entre 1998 e 2001, uma série de estudos dos ritmos da região, que resultou em quatro CDs independentes: "Encontro com a saudade", "Instrumental caboclo" (trilha sonora do filme "Lendas amazônicas"), "Solos da Amazônia" e "Solos do Brasil", esse último em parceria com Hermeto Pascoal e Gilson Peranzzetta.
Homenagens
Os muitos feitos pela arte instrumental renderam várias homenagens.a Sebastião Tapajós, uma delas em novembro de 2013, com a cerimônia de outorga das insígnias de Doutor Honoris Causa ao músico santareno, concedidas pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). A solenidade foi promovida pelo Conselho Universitário Pro Tempore da Universidade.
Em 2018, um grupo de amigos realizou um tributo no auditório da Casa da Cultura, em Santarém, com o tema "Santarém do Tapajós: rio abaixo rio acima".
Na ocasião, foi assinada a lei municipal que concedeu pensão vitalícia ao violonista.
Em dezembro de 2019, o violonista recebeu uma homenagem em Alter do Chão, na inauguração do palco “Mestre Sebastião”, na Cabana do Tapajós, uma casa de eventos.
A homenagem foi feita pelo projeto de extensão da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) “Luzes do Tapajós”.