Ministério da Saúde lança campanha de combate à malária no Pará

Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente informou as estratégias que pretende traçar para erradicar a doença até 2035. 'Precisamos olhar com prioridade para a Região Norte', diz secretária em Belém.

Por Portal Giro

Foto: Reprodução

O Ministério da Saúde lançou nesta terça-feira (25), em Belém, a Campanha Nacional de Combate à Malária. A secretária federal de Vigilância em Saúde e Ambiente, Ethel Maciel, falou sobre as principais ações da pasta para tratamento dos pacientes e redução de casos. A Região Norte tem 30 municípios que concentram 80% dos casos da doença.

O lançamento marca o Dia Mundial de Luta Contra a Malária e os 20 anos de atuação do Programa Nacional de Prevenção e Controle da Malária.

De acordo com a secretária, duas ações serão realizadas em busca da eliminação da doença até 2035. A primeira é o decreto para criação do Comitê Interministerial para concentrar ações na eliminação de doenças de determinação social, como a malária, assinado no último dia 17 pelo presidente Lula. A segunda ação é a formação do Grupo de Trabalho na Região da Amazônia Legal como um plano estratégico para a região.

“Esse grupo visa o preenchimento de vazios na vigilância e assistência. Precisamos olhar com bastante prioridade para a Região Norte para que consigamos efetivar a equidade em saúde", diz a secretária.

"Paralelamente, o decreto que institui o Comitê Interministerial, porque infelizmente temos um grupo enorme de doenças de determinação social no Brasil. Também precisamos de financiamento para essas ações e colocando isso como prioridade de governo, conseguimos mobilizar os recursos necessários”, diz Maciel.

De acordo com dados do MS, na década de 1960 havia transmissão de malária no país inteiro; já no ano de 2000, já ocorreu uma restrição da malária para a região Amazônica com alto risco no Pará, Amapá, e Amazonas. E em 2022, a preocupação está no extremo oeste do território brasileiro.

Uma das estratégias apontada pelo Ministério da Saúde em busca da erradicação da malária no Norte brasileiro é capacitar lideranças comunitárias para identificar a doença.

"Diminuiu, mas a carga de malária em alguns municípios é grande. A gente não pode se contentar com o controle. Os trabalhos locais conseguem fazer com que pequenos surtos de malária não se tornem uma nova área transmissora, então a principal estratégia passa pelo diagnóstico".

Número de casos aumentou no Pará

Apesar da diminuição de casos de malária no Brasil, houve aumento de óbitos e aumento da proporção em área indígena e de garimpo a partir de 2020, de acordo dados divulgados pelo coordenador de Eliminação da Malária do Ministério da Saúde.

No Pará, só em 2023, foram registrados quase 6 mil casos de malária nos 4 primeiros meses do ano, de janeiro até a última segunda-feira (24). De janeiro ao fim de março foram 5.199 casos, enquanto que no mesmo período do ano passado foram 4.082 casos, segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa).

No Pará, os municípios de Jacareacanga e Itaituba se destacam pelos altos números. As regiões são conhecidas pela prática de garimpo ilegal, atividade que está diretamente ligada com o avanço da doença.

Veja abaixo as cidades paraenses com maiores registros de casos nos últimos quatro anos (dados da Secretaria de Estado da Saúde do Pará):

(2019) 32.753 - total no estado

Jacareacanga 7.262

Anajás: 4.456

Itaituba: 3.909

Oeiras do Pará: 1.186

Bagre: 1.051

(2020) 24.547 - total no estado

Jacareacanga 7.262

Anajás: 4.456

Itaituba: 3.909

Oeiras do Pará: 1.186

Bagre: 1.051

(2021) 20.295 - total no estado

Jacareacanga: 7.654

Itaituba: 5.003

Anajás: 1.816

Oriximiná: 1036

Almerim: 911

(2022) 23.702 - total no estado

Jacareacanga: 8.431

Anajás: 5.120

Itaituba: 4.284

Altamira: 1.476

Breves: 1017

(2023) até o dia 24 de abril: 5.976 - total no estado

Jacareacanga: 1.974

Itaituba: 1.393

Anajás: 1.324

Breves: 435

Altamira 191

Sintomas e tratamento

A Malária é uma doença infecciosa febril aguda, transmitidos pela fêmea infectada do mosquito Anopheles. Os sintomas mais comuns da doença são: febre alta, calafrios, tremores, sudorese e dores na cabeça. Apesar de ter cura, a doença evolui rápido e pode levar o paciente à morte.

Cerca de um milhão e meio de pessoas morrem por complicações de malária, por ano, no mundo todo. No Brasil, 99% dos casos são registrados na Amazônia Legal, de acordo com dados do Programa Nacional de Combate à Malária.

O diagnóstico precoce é fundamental e é possível receber a medicação gratuitamente pelo SUS.

Fonte: G1 Pará