Indígenas pedem demissão de diretora da Funai e prometem sangue se a polícia tirá-los da BR-163

Líder Kaiapó diz que indígenas apenas deixarão o local, se governo assinar até esta sexta-feira (21) a renovação do programa ambiental prometido ao grupo no ano passado.

Por Portal Giro

Foto: Reprodução

Lideranças indígenas, que realizam desde a segunda-feira (17) o bloqueio da BR-163, em Novo Progresso , enviaram uma carta ao presidente da Funai, Marcelo Augusto Xavier, na qual pedem a exoneração da coordenadora de licenciamento ambiental da fundação, Carla Fonseca de Aquino Costa. Na avaliação dos indígenas, Carla tem travado a renovação do programa ambiental prometido aos indígenas desde o ano passado.

"Exigimos a exoneração da coordenadora da CGLic (Coordenação Geral de Licenciamento), Carla Fonseca de Aquino Costa, que é uma funcionária do Ministério do Meio Ambiente e está na Funai travando a liberação de nosso PBA (Plano Básico Ambiental)", afirmam os indígenas, no documento.

Os indígenas declaram que fazem um protesto pacífico, mas não aceitam que Exército, a Polícia Federal ou a Polícia Militar os retirem a força. "Desse jeito vai ter sangue derramado nesse asfalto", afirmam.

Carta enviada à Funai. (Foto: Reprodução)

Em entrevista à imprensa, o líder caiapó, Mudjere Kayapó, que está no protesto, disse que os indígenas só deixarão o local se o acordo for assinado até esta sexta-feira (21).

"Não saímos da estrada enquanto não aprovar PBA, até que o governo aprove nosso PBA. Não estamos pedindo nada além do compromisso de manter nossos programas ambientais. Não queremos indenização em dinheiro. Nós trabalhamos com projetos, temos projetos de produção de castanha, de coleta de cumaru, de apoio ao artesanato, e temos que defender nossa terra. O PBA trata disso tudo", comentou.

Mudjere disse ainda que os caminhoneiros, apesar de estarem parados na estrada, apoiam o protesto, porque sabem que as reivindicações também incluem a consulta prévia aos indígenas para liberação da Ferrogrão, prevista para ser construída ao lado da BR-163. "Os caminhoneiros estão do nosso lado, porque esse projeto da ferrovia tira o trabalho dos caminhoneiros. Eles vão perder seus empregos. Então, estão com a gente."

Segundo dados do governo, a renovação integral da proposta feita pelos indígenas foi orçada em R$ 68 milhões para o período de cinco anos. Nos cálculos dos indígenas, porém, seus programas teriam um custo anual de aproximadamente R$ 5 milhões.

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Fonte: Estadão