Uma funcionária do Banco da Amazônia (BASA) foi presa preventivamente em Novo Progresso, às 6h30 desta sexta-feira (30), suspeita de desviar dinheiro de clientes idosos. A Polícia Civil cumpriu também dois mandados de busca na Operação Rastro Oculto.
A investigação começou após um idoso denunciar movimentações financeiras não autorizadas em sua conta, com prejuízo de R$ 138.977,66.

As buscas ocorreram em um apartamento na Avenida Jamanxim, no bairro Rui Pires de Lima, e em um imóvel na Rua Siébra Maia, no bairro Jardim Santarém. A operação foi conduzida pela Delegacia de Polícia Civil de Novo Progresso.

Aplicativo em celular próprio
Segundo a Polícia Civil, os indícios apontam que a suspeita se aproveitou da relação de confiança com o primeiro denunciante para cadastrar o aplicativo bancário em um celular próprio. Com esse acesso, ela realizou sucessivas transações fraudulentas na conta do cliente.
A análise financeira e o levantamento de imagens de segurança apontaram indícios de uso do dinheiro da vítima em compras. Entre elas, a polícia identificou um iPhone 17 Pro Max, de 512 GB, avaliado em R$ 9.890,00, adquirido no município. Os investigadores também relataram um padrão de vida marcado por diversas viagens.
Com quebras de sigilos bancário e telemático autorizadas pela Justiça, a investigação encontrou indícios de outra vítima: um idoso com prejuízo de R$ 49.950,00. Para a polícia, outras movimentações financeiras de valores elevados apontam a possibilidade de mais clientes atingidos.

Monitoramento antes da prisão
A Polícia Civil informou que a suspeita deixou Novo Progresso depois de tomar conhecimento das investigações e de seu afastamento das atividades bancárias. A partir daí, passou a se deslocar por diferentes localidades e foi monitorada pelo serviço de inteligência.
Inicialmente, os investigadores localizaram a suspeita em uma região ribeirinha de difícil acesso em Abaetetuba, no Pará. Houve articulação com a Superintendência Regional do Tapajós e a Delegacia de Homicídios de Abaetetuba para viabilizar o acesso fluvial ao local.
Em 28 de outubro, o monitoramento identificou sua presença no Aeroporto Internacional de Belém, seguida de deslocamentos por Guarulhos (SP) e Sinop, em Mato Grosso. A polícia paraense também articulou apoio com a Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso.
No fim da tarde de quinta-feira (29), a investigada foi localizada em uma área rural de Castelo dos Sonhos, no Pará. Segundo a Polícia Civil, a estratégia priorizou a prisão em Novo Progresso para permitir buscas simultâneas nos imóveis e a apreensão de celulares e outros elementos de prova.
A investigação apura suspeitas de peculato, inserção de dados falsos em sistema de informações, lavagem de dinheiro e estelionato, com possível prática continuada.