Foto mostra ministros do STF rindo após primeira sessão do Supremo desde a revelação de mensagens entre Moraes e Vorcaro

Durante a sessão, nenhum ministro fez manifestação pública sobre o relatório ou sobre as mensagens envolvendo Moraes. O plenário concentrou-se na análise de dois processos de natureza tributária que já estavam previstos na pauta

Por Portal Giro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi fotografado nesta quarta-feira (2) ao lado dos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes após a primeira sessão da Corte realizada desde a divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) com mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro envolvendo integrantes de instituições públicas.

Na imagem, registrada pelo fotógrafo Brenno Carvalho, do jornal O Globo, os três ministros aparecem conversando em um momento de descontração nas dependências do Supremo.

Durante a sessão, nenhum ministro fez manifestação pública sobre o relatório ou sobre as mensagens envolvendo Moraes. O plenário concentrou-se na análise de dois processos de natureza tributária que já estavam previstos na pauta.

Nos bastidores, entretanto, o episódio tem provocado repercussão. Um ministro ouvido pelo O Globo sob condição de anonimato classificou o ambiente na Corte como “tenso” diante dos últimos desdobramentos relacionados ao Banco Master.

Também houve reforço na segurança do STF. Segundo o jornal, o número de policiais judiciais no Salão Branco estava acima do normalmente observado em dias de sessão, e ministros circularam acompanhados por mais agentes de segurança.

O relatório foi elaborado pela Polícia Federal a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro, no âmbito da Operação Compliance Zero, e encaminhado ao ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master.

O documento reúne diálogos nos quais Vorcaro faz referências a Alexandre de Moraes, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Entre as mensagens está uma em que o banqueiro afirma precisar da “proteção” de “Andrei e Paulo”. Segundo a PF, as referências seriam a Rodrigues e Gonet.

As mensagens relacionadas a Moraes também passaram a integrar o debate sobre os procedimentos necessários para uma eventual apuração envolvendo um ministro do Supremo.

Após receber o material, André Mendonça o encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR). Paulo Gonet defendeu a anulação do relatório e argumentou que Mendonça teria extrapolado suas atribuições ao determinar o aprofundamento das apurações envolvendo Moraes sem solicitação do Ministério Público ou da Polícia Federal.

Na avaliação do procurador-geral, eventual investigação envolvendo um ministro do STF dependeria de autorização do plenário da Corte. Gonet também defendeu a interrupção das apurações decorrentes dessas determinações.

Diante da repercussão do caso, o presidente do STF, Edson Fachin, iniciou conversas individuais com ministros para avaliar o ambiente interno antes de definir o encaminhamento da questão. Uma das possibilidades discutidas é submeter ao plenário eventual decisão sobre a abertura ou não de investigação relacionada a Moraes.

Fonte: O Globo