Empresário expõe realidade do comércio ilegal de ouro em Itaituba

Em entrevista ao Jornal do Comércio, o empresário Dirceu Sobrinho falou da sonegação de impostos e também de uma possível prática de lavagem de dinheiro do crime através do ouro.

Por Portal Giro

A edição 238 do jornal do Comércio de Itaituba trouxe uma matéria impactante que revelou algumas realidades do comércio de ouro da cidade, foi entrevistado o proprietário de uma das maiores compras de ouro do município, Dirceu Frederico Sobrinho da D'Gold, ele também é presidente da Anoro e trabalha há mais de 30 anos no segmento.

A afirmação mais impactante do empresário foi com relação à lavagem de dinheiro do crime através do Ouro, "Nós temos os compradores que usam de um artifício para agir de forma ilegal e temos aqueles que compram para lavar dinheiro do crime.", referindo-se também à sonegação de impostos que seria muito comum neste mercado.

"Esses que sonegam impostos e aqueles que lavam dinheiro para o tráfico, e aqui está tendo muito, são um problema grave que está se alastrando no Brasil. Eles conseguem pagar R$ 4 ou até R$ 5 mais caro que os compradores legalizados. Até quando as empresas que compram ouro legalmente vão aguentar sem fechar as portas?" questionou.

O empresário falou ainda de uma nova modalidade de sonegação que é aplicada no mercado de todo o Brasil, segundo ele, é a chamada compra para comercial exportadora, que são compradores que não possuem empresas para comprar ouro com nota fiscal eletrônica da Fazenda Estadual, dessa forma não há nenhuma alíquota, nenhum imposto, nenhum tributo. "Ao fazer isso, esses compradores mandam esse ouro para uma exportadora, uma trading, em São Paulo, ou em qualquer lugar, e de lá eles exportam esse ouro, beneficiando-se da Lei Kandir, sem ter recolhimento nenhum de tributo." Afirmou

Dirceu também comentou a fala do prefeito Valmir Climaco há alguns dias na câmara com relação aos números dos impostos sonegados do ouro em Itaituba, "Ele foi até modesto, porque, de fato, essa conta é um pouco mais de sete milhões de reais. Na minha conta ela passa disso e chega a quase nove milhões de sonegação."

"Na atual alíquota, se todo o ouro produzido no município de Itaituba fosse comercializado legalmente, o município arrecadaria mais de vinte milhões por ano." afirma Dirceu.

Outro ponto que, segundo o empresário, prejudica a arrecadação do município e beneficia os que trabalham na ilegalidade é a lei 13.540/2017 sancionada pelo presidente Michel Temer, que normatizou a MP 789/2017 tornando a alíquota do ouro de Garimpo 0,2% o que faz com que alguns segmentos da mineração se aproveitem desta vantagem.

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Fonte: Jornal do Comércio