Empresária itaitubense que contraiu Covid-19 conta detalhes do que viveu

“A sensação é que você respira e o ar não passa, você puxa e o ar não vem, então você sente a sua respiração pesada”, disse a empresaria em entrevista ao Giro.

Por Portal Giro

Foto: Reprodução

No dia 18 de abril, a Secretaria Municipal de Saúde de Itaituba (SEMSA) anunciou o sétimo caso de covid-19, e também a transmissão comunitária no município, ou seja, um morador passa para o outro através do contato social, pelo fato do indivíduo não ter tido contato com pessoas de fora do município ou ter voltado de viagem recentemente.

A paciente em questão era uma mulher de 35 anos, que atualmente já se encontra recuperada. Ela é empresária na cidade e aceitou conversar com o Giro para relatar detalhes do que viveu e quais precauções tomou para que pudesse ficar bem e não transmitir a doença.

De acordo com a empresária, que preferiu não ser identificada, após as primeiras medidas de prevenção anunciadas pela prefeitura, ela parou de ir ao trabalho e somente saía para ir ao mercado fazer compras. A filha dela também parou de estudar.

“Eu acho que fui umas 4 ou 5 vezes no mercado, uma no banco e uma na farmácia. Toda vez que eu retornava para casa eu tomava todos os cuidados, deixava o calçado do lado de fora da casa, já ia direto para o banheiro, colocava a roupa para lavar, lavada todas os produtos e passava álcool para esterilizar”, relata a empresária.

Ainda segundo a mulher, os primeiros sintomas começaram a aparecer no início de abril, em um domingo:

“Eu achava que era enxaqueca, pois, logo depois que almocei eu comecei me sentir ruim, a ter enjoo e muita dor de cabeça, senti como se tivesse me dado má digestão, meu estômago inchou. Senti muita dor no estomago e na cabeça, então pensei que fosse enxaqueca”.

Ela conta que tomou remédio para enxaqueca, dor de estômago e fígado, mas não melhorou, no fim do dia ainda vomitou 3 vezes, além de ter diarreia. Na madrugada passou muito mal, segundo ela, a sensação era horrível, como nunca havia sentido antes, dor no corpo, calafrio, noite em que não conseguiu dormir.

“A minha dor maior era na parte inferior, a sensação era que estava quebrando, muito pior que a dengue”.

No dia seguinte, uma segunda-feira, a empresária relata que sentiu que houve uma leve melhora, se comparado com a noite que teve, onde não dormiu.

“ (na manhã) tive um pouco de moleza no corpo, sinais de gripe e dor de cabeça. Então, logo eu coloquei máscara no meu rosto, porque eu fiquei com medo, tenho minha avó de 96 anos, que mora comigo, e a gente não sabe o que é, e o que não é, os sintomas não são iguais em todas as pessoas, infelizmente ele está variando de pessoa para pessoa”

Logo após ter sentido os sintomas, a mulher se isolou, ficando reclusa no seu quarto. Ela conta o marido dela também teve alguns sintomas, antes mesmo dela, porém, foram bem leves, mesmo assim ambos ficaram em isolamento juntos.

“Eu ficava com medo, principalmente da minha vó e da minha filha. Como aqui em casa tem dois banheiros, separei um só para mim e meu esposo, nossos talheres, pratos. Daí eu comuniquei a Vigilância sanitária, dos sintomas que eu e meu esposo estávamos apresentado. No outro dia veio uma equipe da SEMSA aqui, fizeram um documento para gente assinar, quando foi na quarta veio um médico, eu já apresentava mais sintomas da doença, eu já estava com dor de garganta, eu comecei a ter problemas com a respiração, fiquei com falta de ar, foram dois dias. Eu fiquei febril; tive dor abdominal; muita cólica abdominal; dor lombar e diarreia, ausência de paladar”,

“A sensação é que você respira e o ar não passa, você puxa e ar não vem, então você sente a sua respiração pesada”. afirma.

Em relação ao possível local que tenha contraído o vírus, a mulher diz que acredita que foi em um dos lugares que esteve, supermercado, farmácia ou no banco, pois garante que não teve contato com ninguém, uma vez que não estava trabalhando e não recebia visitas em casa.

A mulher afirma que há muito preconceito por parte da sociedade, em relação às pessoas infectadas, mesmo depois delas se recuperarem.

“Quando as pessoas sabem quem você é elas te tratam com medo, te tratam com um pouco de preconceito, mesmo que você já esteja recuperada. [...] as pessoas não precisam ter medo, a secretaria tem um cuidado, de além dos 15 dias após, ainda dão mais dias para que as pessoas se resguardem para não transmitir para ninguém. As pessoas não precisam ficar com medo da gente, após isolamento não transmitimos mais o vírus. A gente se sente muito mal como pessoa, como ser humano, em saber que as pessoas têm medo de chegar perto da gente.”

Sobre a pior parte do isolamento, a empresária garante que foi não poder abraçar sua filha.

“Eu saía somente para ir ao banheiro. Quando eu abria a porta do quarto minha filha vinha correndo me abraça e eu brigava com ela, pois não podia abraçá-la. É muito ruim não poder abraçar a sua família. [...] aqui em casa ninguém mais pegou, meu marido testou negativo, tomamos todos os cuidados possíveis. Eu fiquei em isolamento durante 1 mês, fora das ruas, sem ter contato com ninguém, só com meu marido." finalizou.

Fonte: Giro Portal