Um documentário divulgado pelo portal Brasil de Fato expõe os desafios enfrentados pelos pescadores que dependem do rio Tapajós para sua subsistência. Segundo os relatos, a instalação de portos voltados ao transporte de soja para exportação tem impactado diretamente a atividade pesqueira na região.
Os pescadores destacam que áreas antes ricas em peixes, como o piau — uma espécie popularmente conhecida na região —, foram ocupadas pelas empresas, que proibiram a pesca nesses locais. Maria Zuleide, pescadora de Miritituba, conta que, há cerca de cinco anos, antes dos portos, era possível capturar até 2.000 kg de piau. Hoje, mal conseguem atingir 500 kg.
Além da redução significativa na quantidade de peixes, os pescadores enfrentam o desafio de buscar novas áreas de pesca, muitas vezes muito distantes. "Agora, saímos na segunda-feira e só voltamos na quinta ou sexta-feira", relata Maria.
Ednaldo dos Santos, também pescador e morador de Miritituba, afirma que conseguiu criar os filhos com a pesca. "Se fosse hoje, não conseguiria", lamenta.
A secretária da Colônia de Pescadores, Lany Cruz, propõe que as comunidades considerem alternativas como a criação de tanques para piscicultura, visando à sustentabilidade da atividade. Ela alerta que, com a situação atual, o pescado do rio pode acabar, colocando em risco a sobrevivência dos pescadores e suas famílias. Segundo ela, mesmo com tanto esforço, os pescadores dificilmente conseguem obter o equivalente a um salário mínimo por mês.