Os massacres das últimas 48 horas em presídios de Manaus foram motivados por uma disputa entre líderes da facção Família do Norte-FDN, conforme informações obtidas pelo jornal Estado de São Paulo, junto ao Governo do Amazonas. Mesmo detidos em presídios federais, José Roberto Barbosa, mais conhecido como Zé Roberto da Compensa, e João Pinto Carioca, conhecido como João Branco, estariam lutando pelo comando do grupo.

Zé Roberto e João branco, líderes de facção.
A facção Família do Norte é conhecida como a terceira maior facção do País, tendo o controle do tráfico de drogas na região amazônica. Zé Roberto é o líder desta facção e João Branco a deixou e entrou no Comando Vermelho-CV, que agora tenta assumir o domínio de sua ex-facção.
O racha ocorreu devido a intenção de João Branco de liderar parte da facção, mas o pedido foi negado por Zé Roberto. A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) ainda não reconhece de forma oficial esta motivação para os massacres dos últimos dois dias.
Na última segunda-feira (27), mais 40 detentos foram encontrados mortos em presídios do Amazonas. A Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) informou que todas as mortes tinham indícios de asfixia. Elas ocorreram nas seguintes unidades:
• Instituto Penal Antônio Trindade (IPAT) – 25 mortos;
• Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) – 6 mortos;
• Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM 1) – 5 mortos;
• Compaj – 4 mortos.

Brigas entre detentos deixam 55 mortos entre domingo e segunda — Foto: Rodrigo Cunha e Roberta Jaworski.
O Ministério da Justiça informou que vai enviar ao Amazonas, integrantes da Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária. De acordo com o Governo Federal, a força-tarefa atua quando há crise no sistema penitenciário – o objetivo é "controlar distúrbios e resolver outros problemas".
Em nota, o governo do Amazonas informou que o governador Wilson Lima conversou na tarde desta segunda com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.
"Acabei de falar com o ministro Sérgio Moro, que já está mandando uma equipe de intervenção prisional para o Estado do Amazonas, para que possa nos ajudar neste momento de crise e um problema que é nacional: o problema dos presídios. A qualquer momento a equipe de intervenção do Ministério da Justiça desembarca no Estado para nos ajudar", afirmou Wilson Lima no comunicado.

Familiares de presos aguardando notícias do lado de fora após massacre em presídio de Manaus, no Amazonas — Foto: Bruno Kelly/Reuters.
No caso do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), onde 15 detentos foram mortos após briga interna no último domingo (26), integrantes da Força Nacional de Segurança Pública já atuam na área externa do presídio desde o massacre que deixou 56 mortos em janeiro de 2017. A força atua também na estrada onde ficam as cadeias.