Considerada curada do Covid-19, moradora de Itaituba desabafa após repercussão do caso

"Sofri um verdadeiro linchamento social, mensagens recebidas, fotos espalhadas e Fake News, um verdadeiro desrespeito a minha privacidade (...) falta de empatia e amor ao próximo", diz parte do desabafo enviado ao Giro.

Por Richardson Carvalho

Foto: redes sociais
Tábata Henriques é considerada curada.

Após toda a repercussão da primeira pessoa de Itaituba infectada pelo Covid-19, muito se espalhou em grupos de whatsapp suposições sobre quem seria a paciente, uma mulher de 24 anos que havia retornado da Europa. Trata-se de Tábata Henriques Feitosa, natural do Rio de Janeiro, casada, mãe de dois filhos e residente em Itaituba a pouco mais de 1 ano.

Tábata e o esposo Johnners. (Foto: redes sociais)

Alberto Soares, do Departamento de Controle de Doenças Endêmicas da Secretaria Estadual de Saúde do Pará (Sespa) informou, em conversa com o Giro, nesta quarta-feira (01), que Tábata está curada. "não existe mais nada de vírus nela, nem na sua família", afirmou Alberto.

Através de nota enviada ao Giro, a jovem Tábata desabafou e fez relatos impressionantes, contando detalhes do que viveu nos últimos dias, onde afirma que sofreu 'linchamento social' e chegou a receber diversas ameaças.

Leia abaixo o texto na íntegra

"Desde que comecei a sentir os sintomas, dentre eles, febre, dor no corpo, dor de cabeça, cansaço e falta de olfato, prontamente liguei para a Secretaria de Saúde, cuja equipe imediatamente se prontificou a me fazer uma visita. Depois que coletaram o meu teste neste mesmo dia continuei em isolamento social assim como meu marido e meus filhos e as únicas pessoas que estiveram próximas a nós com risco de contágio também foram isoladas socialmente.

Convém esclarecer que querer saber o nome da pessoa que está infectada ou o bairro onde ela mora, se você tem que estar em quarentena e não foi procurada pela Secretaria de saúde, é uma informação indiferente, uma vez que se essa pessoa tal como eu, está em quarentena ou em isolamento social em nada vai afetar a comunidade. Querer saber, portanto, tem serventia apenas para espalhar fofocas e inverdades da pessoa assim como foi feito comigo. Se você tem qualquer dúvida sobre o COVID-19, procure a Secretaria de Saúde e os meios oficiais de comunicação, e não em grupos de “informações” de WhatsApp, eles estão fazendo um trabalho maravilhoso para a contenção do vírus em Itaituba, evitando assim espalhar a política do medo na cidade.

Depois de 8 dias que fiz o teste, saiu o resultado. Assim como vocês, só descobri meu resultado pelo Instagram da SESPA, como vi minha idade e a cidade em que resido, liguei para confirmar. A partir desse momento minha vida deu uma grande movimentada, sofri um verdadeiro linchamento social, mensagens recebidas, fotos espalhadas e ¬Fake News, um verdadeiro desrespeito a minha privacidade, um direito que todo cidadão tem, falta de empatia e amor ao próximo.

Nossa viagem incluiu sonhos e planejamento há mais de oito meses e quando adquirimos passagens e hospedagens foi por volta de novembro, período em que nem se ouvia falar deste vírus. Como é de conhecimento público essa doença se alastra muito rápido, tanto que a nossa viagem seria de um mês e já no começo dela tivemos conhecimento que já se alastrava na Europa o que fez com que interrompêssemos na metade e voltássemos ao Brasil.

Ninguém escolhe ficar doente. Fomos tratados por alguns como se tivéssemos deliberadamente ido viajar para contrair a doença e espalhar na cidade. Vejam, eu sou mãe de família, eu tenho filhos de dois e três anos, eu nunca colocaria a vida deles em risco.

Algumas das ¬Fake News que espalharam foi a de que eu estava em salão de beleza, que estava na Orla da cidade cuspindo no chão para espalhar o vírus, espalharam fotos minha e da minha família, inclusive dos meus filhos para que as pessoas soubessem de quem se tratava, disseram que meus filhos foram à escola, ameaçaram me apedrejar quando me vissem na rua. E, como se não bastasse tudo isso, agora colocam em xeque a minha cura e a de minha família. Vejam a que ponto chega a maldade do ser humano.

A entrevista do Sr. Alberto trouxe um alento para mim e para a minha família. O que queremos agora é voltar a ter uma vida normal, a realizar as nossas atividades cotidianas.

Considero-me abençoada por ter me recuperado, não fazer parte do grupo de risco e pelos meus filhos terem sido assintomáticos.

Por aqui seguimos em oração por todos aqueles que foram acometidos dessa doença, para que possam, assim como eu, alcançar a graça da recuperação. Gostaria de agradecer a todos aqueles que enviaram mensagens, demonstraram preocupação e que se colocaram à disposição para nos ajudar. Apesar da negatividade de alguns prevaleceram as energias positivas emanadas por todos que querem o nosso bem.

Nesse período de incertezas o que todos nós precisamos neste momento é de amor ao próximo. Forte abraço (virtual) a todos." Relato de Tábata Henriques.

Fonte: Giro Portal