Em meio à pior seca da história recente do Brasil e a uma intensa onda de calor, a umidade do ar em várias cidades brasileiras atingiu níveis alarmantes. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), na última terça-feira (3), pelo menos 244 cidades no país registraram uma umidade relativa do ar menor ou igual à do deserto do Saara, que varia entre 14% e 20%. A previsão é de que os índices de umidade possam piorar ainda mais nesta quarta-feira (4).
No Pará, Santana do Araguaia registrou 14%, Conceição do Araguaia chegou a 15%, e Santa Maria das Barreiras alcançou 17%. Em Rondon do Pará, a umidade atingiu 20%.
Cidades no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul atingiram máximas de 40°C, enquanto no interior de São Paulo e Minas Gerais, os termômetros chegaram a 39°C. A combinação de calor intenso e a falta prolongada de chuvas contribuiu para que a umidade do ar evaporasse, resultando em condições semelhantes às encontradas em desertos. No deserto mais seco do mundo, o Atacama, no Chile, a umidade chegou a 5%, e algumas cidades brasileiras chegaram a índices próximos a esse nível.
A seca histórica, que afeta todos os estados brasileiros, com exceção do Rio Grande do Sul, é um dos principais fatores para essa situação extrema. Em muitos estados e no Distrito Federal, não há chuvas há mais de cem dias. Além disso, a onda de calor e bloqueios atmosféricos que impedem o avanço de frentes frias também são responsáveis pela severidade da crise atual. Segundo Fábio Luengo, meteorologista da Climatempo, a alta temperatura e a falta de precipitação fazem com que a umidade do ar diminua ainda mais, agravando as condições já críticas enfrentadas pelo país.