Um dos sobreviventes do naufrágio do navio Anna Karoline III, ocorrido no dia 29 de fevereiro, no sul do Amapá, Wallace Oliveira Pereira contou em entrevista à uma emissora santarena que ele, a esposa e o filho passaram por momentos de terror. O filho do casal, Alerrandro Matheus, de 5 anos, continua desaparecido.
Segundo Wallace, eles estavam dormindo no momento que ouviram um barulho e pularam no rio para se salvar. "Nós estávamos dormindo, quando ouvimos um barulho, consegui abrir a janela e me dei conta do que tava acontecendo. Peguei meu filho e minha esposa, ela abriu a janela por onde nós pulamos na água. O barco tava afundando, fomos os primeiros a pular, mas infelizmente chovia muito, muito vento, e nós acabamos perdendo nosso filho na água", disse.
'Eu preferia ter morrido', mas que meu filho crescesse", disse Wallace.
O sobrevivente explicou que no momento em que tentava entregar o filho à esposa foi puxado por alguém. "Eu falei pra ela 'quero que você e ele se salvem', ele ainda tem um futuro pela frente. Minutos depois alguém puxou a gente, mas o nosso filho não tava mais com a gente", lamentou.
Wallace lembra que o navio demorou menos de um minuto para afundar totalmente. "Ontem mesmo eu tava conversando com a minha esposa, não é fácil o que nós passamos, o barco demorou menos de um minuto pra afundar e matar tantas pessoas. Perdemos naquele navio tudo o que tínhamos, a esperança de uma vida nova, um filho maravilhoso que criamos com tanto carinho. Agora, só Deus pra nos dar força, porque o meu filho era especial. Eu queria pelo menos achar ele pra gente dar um velório digno, mas Deus sabe o que faz", declarou o pai emocionado.
O naufrágio

O Anna Karoline III saiu por volta das 18h, de sexta-feira (28) de Santana, no Amapá, em direção a Santarém, no Pará. A viagem entre as duas cidades dura, em média 36h. A previsão de chegada em Santarém era às 6h de domingo (1º).
Mas a viagem foi interrompida na madrugada de sábado (29), próximo à Ilha de Aruãs e à Reserva Extrativista Rio Cajari, no Rio Jari (veja no mapa). A região fica a 130 km de Macapá, em um local de difícil acesso e comunicação – o chamado de socorro foi feito às 5h, e o helicóptero de resgate do governo do estado só chegou ao local por volta das 14h de sábado.
O Corpo de Bombeiros afirmou que não há um número oficial de vítimas, pois a embarcação não tem uma lista de passageiros para orientar as buscas, mas acredita-se que estavam sendo transportadas no mínimo 60 pessoas.