A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta terça-feira (9) que o governo de Donald Trump estaria disposto a recorrer a "meios militares" para "proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo", em referência a uma eventual condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A declaração foi feita em coletiva após questionamento do repórter Michael Shellemberger, do site Public News, sobre a possibilidade de medidas adicionais diante da perspectiva de que Bolsonaro seja condenado, o que poderia torná-lo inelegível.
Segundo Leavitt, "o presidente [Donald Trump] não tem medo de usar meios econômicos nem militares para proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo". A porta-voz acrescentou que, para Trump, "a liberdade de expressão é a questão mais importante dos nossos tempos" e que, por esse motivo, Washington já tomou "ações contra o Brasil".
Apesar do tom duro, Leavitt ressaltou que, por ora, "não há nenhuma ação adicional" prevista contra o governo brasileiro. A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil compartilhou a declaração da porta-voz em seus canais oficiais.
A manifestação da Casa Branca ocorreu no mesmo dia em que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou pela condenação de Bolsonaro e de outros sete réus por tentativa de golpe de Estado. O processo, relatado por Moraes, envolve integrantes do chamado "núcleo crucial" da trama golpista, apontada como parte de uma organização criminosa que tentou impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Bolsonaro e seus aliados respondem por cinco crimes. Caso condenados com penas máximas cumulativas, podem receber até 43 anos de prisão.