Cerca de 20 alunos do ensino fundamental, moradores da comunidade Trairinha, em Aveiro, oeste do Pará, estão tendo que caminhar longos percursos em meio ao atoleiro tanto para chegarem à escola, que fica em Brasília Legal, quanto para retornarem às suas casas, devido às péssimas condições de tráfego da estrada.
Ano após ano, a situação se repete durante o período chuvoso na região amazônica. Enormes valas e atoleiros dificultam e em alguns casos, até impossibilitam a passagem de veículos, como tem ocorrido com frequência com o ônibus que faz o transporte escolar dos alunos de Trairinha para Brasília Legal.
A situação preocupa os pais dos alunos que estudam à tarde, porque em razão do ônibus escolar ficar preso no atoleiro, aqueles que moram em Trairinha e ao longo de uma vicinal que fica a 700 metros da comunidade, as crianças e adolescentes só chegam em casa após às 20h, enfrentando sol, chuva, escuridão e os perigos da estrada.

Crianças já chegaram molhadas de chuva em várias ocasiões e depois das 20h por terem que caminhar longos percursos em razão dos atoleiros na estrada — Foto: Francisco Ferreira/Arquivo pessoal
Crianças já chegaram molhadas de chuva em várias ocasiões e depois das 20h por terem que caminhar longos percursos em razão dos atoleiros na estrada — Foto: Francisco Ferreira/Arquivo pessoal
“É um problema que todo inverno se repete e que parece que nunca vai ter solução porque a prefeitura não está fazendo nada para consertar a estrada. Eu venho todas as noites ficar na beira da estrada, de lanterna na mão, para acompanhar meus filhos na volta para casa. A gente caminha da entrada até na nossa casa uns 700 metros. Mas têm alunos que moram de 6 a 7 quilômetros de distância. Fora o que caminham na estrada quando o ônibus atola e não consegue mais passar. É muito triste uma situação dessas”, contou Francisco Ferreira dos Santos, pai de suas crianças que estudam em Brasília Legal.

Alunos na estrada que leva à escola pública da comunidade Brasília Legal, em Aveiro, no Pará — Foto: Francisco Ferreira/Arquivo pessoal
Segundo Francisco, devido à estrada não oferecer boas condições de trafegabilidade, alguns alunos que moram na “Cabeceira” - local distante 7 km da comunidade Trairinha -, ainda não foram nenhum dia para a escola esse ano, inclusive duas sobrinhas dele, porque os pais temem pelo que pode acontecer com as crianças tendo que fazer esse trajeto sozinhas no retorno para casa.
A comunidade Trairinha fica distante 26 km de Brasília Legal. Em Trairinha, a escola municipal está funcionando apenas do pré-escolar ao 5º ano do ensino fundamental, porque não atingiu o número suficiente de alunos (12 por turma) para abrir turmas do 6º ao 9º ano. Para não ficarem sem estudar, 20 alunos moradores de Trairinha precisam se deslocar diariamente para a escola de Brasília Legal.
O G1 fez contato com a Prefeitura de Aveiro para saber se há previsão de serviços de recuperação da estrada e aguarda posicionamento.