Evandro Cunha dos Santos em audiência pública na cidade de Altamira (PA) - Reprodução

Chefe do Ibama no PA é exonerado após dizer que pararia queima de máquinas de garimpo

Coronel da Polícia Militar havia sido nomeado no último dia 2; Demissão revoltou a classe garimpeira da região itaitubense.

Evandro Cunha dos Santos em audiência pública na cidade de Altamira (PA) - Reprodução

O governo Jair Bolsonaro demitiu na tarde desta terça-feira (10) o novo superintendente regional do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) no Pará, o coronel da Polícia Militar Evandro Cunha dos Santos.

A exoneração, assinada pelo ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente), foi publicada na edição de quarta-feira (11) do Diário Oficial da União. O servidor público foi afastado por ter feito a declaração sem respaldo do governo federal.

Em audiência pública, na segunda-feira (9), ele havia dito que recebeu ordem para interromper a queima de veículos que são flagrados pela fiscalização do órgão federal cometendo crimes ambientais na Amazônia.

Desde o dia 27, o órgão ambiental embargou ali quase 20 mil hectares e destruiu de infratores ambientais, principalmente na Terra Indígena Ituna/Itatá.

As declarações de Santos causaram forte reação no comando do Ibama em Brasília.

Nesta terça-feira (10), a coordenação-geral de fiscalização ambiental enviou ofício à Diretoria de Proteção Ambiental do próprio órgão para alertar que a manifestação “acirrou os ânimos e elevou os riscos aos agentes na região de Altamira, repercutindo diretamente nas ações em andamento na região, realizadas em conjunto com o Exército Brasileiro, a Polícia Federal, a Força Nacional de Segurança Pública e outras instituições desde o dia 27 de agosto”.

Santos foi nomeado para a chefia do Ibama paraense no último dia 2 pelo ministro Ricardo Salles.

Na semana passada, fiscais do Ibama fizeram uma grande operação de repressão a garimpos ilegais na floresta nacional do Crepori, no Pará, e queimaram equipamentos, incluindo duas retroescavadeiras, encontrados operando dentro da área protegida por lei.

A destruição é autorizada pela legislação ambiental por duas razões principais: a dificuldade de rebocar os equipamentos apreendidos e a possibilidade de ações armadas para resgatar os veículos, como já ocorreu na Amazônia.

Fonte: Folha de São Paulo

Comentários

A seção de comentários deste site permite que as pessoas comentem o conteúdo usando as respectivas contas do Facebook. Para comentar, você precisa estar com uma seção ativa na rede social.