Um vídeo anexado ao processo que investiga o ex-presidente Jair Bolsonaro mostra a tornozeleira eletrônica que ele utilizava com sinais de danos e marcas de exposição ao fogo. Nas imagens, é possível ouvir a diretora-adjunta da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape-DF), Rita Gaio, questionando Bolsonaro sobre as avarias no equipamento. Em resposta, o ex-presidente afirma ter "metido um ferro quente" no dispositivo, versão que ainda não foi confirmada pela análise técnica.
De acordo com documento juntado aos autos, a tornozeleira apresentava "sinais claros e importantes de avaria", incluindo marcas de queimadura em toda a circunferência e danos na área de encaixe do case. O equipamento foi recolhido e substituído por uma nova unidade, instalada poucas horas antes da decretação de prisão preventiva. O relatório aponta que, após testes de funcionamento e tração, Bolsonaro foi liberado para retornar ao repouso.
A troca ocorreu na madrugada de sábado (22), após o alarme do aparelho disparar às 0h07. A Seape-DF acionou imediatamente a equipe de segurança do ex-presidente, que confirmou a violação. A nova tornozeleira foi instalada às 1h09, conforme apuração dos blogs de Andréia Sadi e Julia Duailibi.
A defesa de Bolsonaro deve alegar que o ex-presidente tentou romper o equipamento durante um surto, enquanto aliados afirmam que a ação estaria relacionada à privação de sono, ao uso de medicamentos ou à crença de que havia um dispositivo de escuta na tornozeleira. O grupo tenta dissociar o episódio de qualquer tentativa de fuga, hipótese que será analisada pela perícia da Polícia Federal.
O ministro Alexandre de Moraes, no entanto, afirmou que a violação indica "intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga", apontando que o cenário teria sido favorecido pela vigília convocada em frente ao condomínio do ex-presidente.