Duas médicas foram exoneradas do Hospital Raimunda Francisca Dineli da Silva, em Maués, no interior do Amazonas, após a divulgação de um vídeo em que aparecem zombando dos gritos de uma criança que aguardava atendimento.
O vídeo foi publicado nas redes sociais pelas próprias médicas, Beatriz Afonso de Almeida e Sofia Rodrigues Gonçalves, na terça-feira (7), e ganhou repercussão no município. Elas eram recém-contratadas para atuar no hospital de Maués.
Na gravação, Beatriz e Sofia aparecem durante o trabalho fazendo uma brincadeira com a situação de um paciente, que pode ser ouvido ao fundo gritando, aparentemente, desesperado ou com dor.
Elas se perguntam quem vai fazer o atendimento e comparam a situação do paciente como se ele tivesse sendo exorcizado.
O que diz a prefeitura
Por meio de nota, a Prefeitura de Maués informou que determinou a imediata exoneração das profissionais de saúde envolvidas no episódio, que foi considerável lamentável pela administração pública do município.
No comunicado, a prefeitura repudiou qualquer postura antiética e desumana dos profissionais de saúde.
As duas são recém-formadas
As duas médicas demitidas têm o registro profissional há pouco mais de dois meses. De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), Sofia e Beatriz receberam o registro no órgão no dia 5 de dezembro de 2022. O documento é exigido para exercer a profissão.
Sofia e Beatriz têm 24 anos e se formaram na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em 2022. De acordo com a instituição, que é pública, as duas começaram o curso em 2017. O trabalho no Hospital Raimunda Francisca Dineli da Silva, em Maués, foi um dos primeiros das profissionais.
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CRM/AM) informou, nesta quinta-feira (09), que vai apurar as reponsabilidades profissionais e éticas das médicas.
O conselho disse que determinou uma sindicância ex-officio, ou seja, por iniciativa própria. "O procedimento instaurado seguirá o disposto no Código de Processo Ético – Profissional (Resolução CFM nº 2.306/2022)", afirmou o CRM.
Conforme a entidade, o processo de apuração vai seguir sob sigilo. "Informamos ainda que o Conselho de Medicina do Amazonas não compactua com este tipo de atitude e que trabalhamos diuturnamente em prol da ética e da boa medicina", diz o conselho, em nota.
O conselho não informou se as médicas podem perder o registro profissional.