'Quando saímos, não existia mais aeroporto', diz paranaense que estava dentro de avião durante tornado em SC

Aeronave estava prestes a decolar quando foi atingida por fortes ventos. Após o temporal, passageiros encontraram parte da estrutura do aeroporto destruída.

Por Gabriele Rodrigues

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Foto: Reprodução/Redes sociais
Paranaense presenciou destruição em aeroporto — Foto: Andrea Viganó

A paranaense Andrea Cristina Viganó viveu momentos de tensão dentro de um avião que estava prestes a decolar no Aeroporto de Chapecó, em Santa Catarina, quando um tornado atingiu a cidade na manhã de quarta-feira (4). Segundo a passageira, a aeronave chegou a ser arrastada pela força do vento, provocando o cancelamento do voo. Ao desembarcar, ela encontrou parte da estrutura do aeroporto destruída.

“Foi uma coisa muito estranha, porque nós entramos no avião e saímos de um aeroporto perfeito. [...] Dentro da tempestade, nós passamos uns dez minutos e, quando nós saímos disso, não existia mais aeroporto", contou.

A Defesa Civil de Santa Catarina confirmou a passagem de um tornado pelo município. O fenômeno danificou estruturas do aeroporto, provocou a suspensão das operações aéreas e causou estragos em diferentes pontos da cidade. Segundo o órgão, uma estação meteorológica de Chapecó registrou rajadas de vento de 93 km/h, enquanto equipamentos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontaram ventos de até 126 km/h.

Natural de Pato Branco, no sudoeste do Paraná, Andrea estava acompanhada da mãe, Celis Mara Viganó. As duas trabalham em uma escola de inglês e viajariam para Campinas, em São Paulo, onde participariam de uma convenção da rede.

De acordo com a passageira, funcionários do aeroporto tentaram acelerar o embarque devido à previsão de tempestade. Apesar do alerta, a entrada dos passageiros na aeronave ocorreu normalmente. O avião chegou a iniciar o deslocamento pela pista em direção ao ponto de decolagem, mas precisou parar quando a chuva se intensificou.

“Começou a aumentar, aumentar, aumentar. Foi um momento até que eu comecei a gravar o vídeo, porque a gente sentia o avião mexendo, embora eu olhasse pela janela e soubesse que o avião estava parado. Era uma sensação muito estranha, porque o avião balançava muito, sabe? Era algo fora do normal", relatou.

Segundo Andrea, o comandante informou aos passageiros que a aeronave estava parada, mas enfrentava ventos de aproximadamente 140 km/h. Em seguida, comunicou que o avião, de 77 toneladas, estava sendo arrastado pela força do vento.

"E aí, naquele momento, a gente realmente ficou bem apreensivo, porque nós não sabíamos, não dava para ver muita coisa do avião. Era só realmente a chuva, e sentia todo esse balanço", contou.

Após a diminuição da intensidade dos ventos, o comandante informou que seria necessário retornar ao pátio e cancelar o voo. No entanto, os passageiros permaneceram por mais de uma hora dentro da aeronave, aguardando condições para desembarcar, já que as escadas utilizadas no procedimento haviam sido atingidas pelos destroços.

"Ele falou que não havia nenhuma escada mais disponível para a gente descer do avião, porque todas as escadas estavam embaixo dos escombros. [...] E aí é que a gente começou a olhar para fora e realmente enxergar o que tinha acontecido, porque os barracões estavam no chão, o terminal de cargas não existia mais", relatou.

Ao desembarcar, Andrea encontrou estruturas destruídas, falta de energia elétrica e dificuldades para retirar as bagagens. A passageira também constatou que o carro deixado no estacionamento havia sido danificado após a cobertura do local ser arrancada pelo vento.

“Para todos os lados que você olhava, você via só destroços e nada daquilo fazia sentido para a gente, porque a gente não tinha entendido até então que era um tornado que tinha passado ali", disse.

Viagem cancelada e dificuldades para retornar para casa

Andrea e a mãe haviam saído de Pato Branco em direção a Chapecó para embarcar no voo com destino a Campinas. As duas participariam de uma convenção de uma rede de escolas de inglês e tinham retorno previsto para sábado.

Com o cancelamento do voo, elas não conseguiram seguir viagem. Andrea recebeu a orientação de procurar hospedagem e solicitar posteriormente um possível reembolso à companhia aérea.

Apesar dos danos causados ao veículo, a passageira afirmou que pretendia retornar para casa nesta quinta-feira (5), utilizando o próprio carro.

“Eu acredito que nós vamos conseguir voltar mesmo com o meu carro, amanhã, mesmo sem retrovisor, mas vamos devagarinho", disse.

O que diz a concessionária do aeroporto

Em nota, a Voe Xap, concessionária responsável pela administração do Aeroporto de Chapecó, informou que as operações foram suspensas por tempo indeterminado devido aos danos provocados pelo temporal.

A Voe Xap, concessionária do Aeroporto de Chapecó, informa que as operações estão suspensas por tempo indeterminado em razão de uma forte tempestade que atingiu a cidade na manhã desta quarta-feira (4 de novembro).

Equipes técnicas da administradora estão no local realizando vistoria completa da infraestrutura e adotando as providências necessárias para que as operações sejam normalizadas com a maior brevidade possível.

A concessionária orienta aos passageiros que não se dirijam ao aeroporto neste momento e entrem em contato diretamente com as companhias aéreas para obter informações atualizadas sobre seus voos.

Fonte: G1