Um vídeo gravado em Canoa Quebrada, no município de Aracati (CE), mostra o momento em que uma picape Ford Ranger Raptor é projetada para o alto ao acelerar sobre uma duna. De acordo com uma análise feita pelo professor Luan Ângelo, da Secretaria da Educação do Ceará, o veículo estava a mais de 130 km/h no momento em que perdeu contato com o solo, chegando a atingir cerca de 10 metros de altura — o equivalente a um prédio de três andares.
A manobra ocorreu sobre uma duna com inclinação de aproximadamente 27º, o que, segundo especialistas, contribuiu para o "salto" do veículo. A picape passou por cima de um buggy parado, onde estava um grupo de turistas. No impacto com o solo, os quatro pneus foram danificados, o capô ficou avariado, os airbags foram acionados e o motorista chegou a desmaiar. Nenhuma outra pessoa ficou ferida.
O condutor foi identificado como Valécio Nogueira Granjeiro, empresário do setor de supermercados na cidade de Russas (CE). Ele foi autuado por manobra perigosa, infração considerada gravíssima, e recebeu multa no valor de R$ 2.934. Além disso, está sendo investigado por possível crime ambiental em decorrência da atividade realizada nas dunas.
Para calcular os dados do salto, Luan utilizou o software Tracker, que transforma pixels de vídeo em medidas físicas reais. A análise apontou que a trajetória do veículo foi parabólica, característica típica do movimento oblíquo, quando algo é lançado para cima e para frente simultaneamente. O tempo estimado do "voo" foi de oito segundos, mas a distância percorrida não pôde ser determinada com precisão por causa da movimentação da câmera durante a gravação.
Segundo cálculos baseados na segunda lei de Newton, o impacto da aterrissagem gerou uma força estimada em mais de 268 mil newtons — o equivalente a 26,5 toneladas-força, mais de 11 vezes o peso do próprio veículo. A desaceleração brusca, ao ir de cerca de 150 km/h a zero, concentrou uma grande quantidade de energia sobre a estrutura da picape.
Especialistas em física explicam que, além da velocidade e da inclinação do terreno, fatores como o tipo de pneu, tração e suspensão contribuíram para o salto e amortecimento do impacto. Apesar dos danos ao veículo, o solo arenoso evitou consequências mais graves ao motorista. O caso segue sendo investigado pelas autoridades.