Preço do ouro bate recorde e supera US$ 2.700 em meio a tensões geopolíticas; grama chega a quase R$ 500

O metal precioso, visto como um refúgio seguro para investidores em tempos de incerteza, continuou sua valorização.

Por Portal Giro

Os preços do ouro alcançaram nesta sexta-feira um valor recorde acima de US$ 2.700 por onça, quando os operadores recorreram a esse refúgio seguro diante das incertezas geopolíticas, incluindo a morte do líder do Hamas, Yahya Sinwar, em operação de Israel no sul da Faixa de Gaza.

O metal precioso atingiu um preço histórico de US$ 2.704,89 a onça no comércio matinal da Ásia, acima de seu recorde anterior de US$ 2.688,83 registrado na quinta-feira. O ouro à vista estava sendo negociado a ÙS$ 2.711,71 por onça às 10h54 em Londres. A prata, o paládio e a platina também subiram.

Yahya Sinwar é apontado como mentor do ataque do grupo palestino que matou 1,2 mil pessoas em Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra de um ano em Gaza.

Os mercados têm estado em suspense devido à crise no Oriente Médio, onde Israel combate o Hamas em Gaza e o Hezbollah no sul do Líbano, desencadeando temores de um conflito regional que envolva o Irã. Os investidores geralmente buscam segurança no ouro em tempos de incerteza geopolítica e econômica.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que Israel continuará lutando até que todos os reféns capturados pelo Hamas no ano passado sejam libertados, mesmo com o presidente dos EUA, Joe Biden, afirmando que já é hora de a guerra acabar.

A preocupação em torno da guerra na Ucrânia também tem impulsionado a busca por investimentos seguros.

Os investidores também estavam reposicionando suas carteiras antes da eleição dos Estados Unidos, que acontece em 5 de novembro.

— As pesquisas tradicionais e as plataformas de apostas descentralizadas divergiram significativamente, mesmo com a proximidade das eleições — disse Christopher Wong, estrategista de câmbio do Oversea-Chinese Banking Corp. —As proteções contra Trump — como posições longas em ouro — ainda podem ganhar tração, dada a fluidez dos desenvolvimentos eleitorais e das incertezas geopolíticas.

Enquanto isso, o Índice Bloomberg Dollar Spot caiu 0,2%, interrompendo uma alta de quatro dias. Um dólar mais fraco torna o ouro mais barato para muitos compradores, já que ele é cotado em dólares americanos.

— A alta do dólar também está começando a parecer um pouco esticada tecnicamente, então uma correção de curto prazo não deve ser descartada — acrescentou Wong.

O ouro subiu cerca de 2,1% na semana, com a demanda por ativos de refúgio superando outros obstáculos macroeconômicos que normalmente pesariam sobre o metal precioso, após relatórios dos EUA na quinta-feira diminuírem as apostas na extensão do afrouxamento do Federal Reserve.

As vendas no varejo se fortaleceram em setembro, superando as previsões, e os pedidos de seguro-desemprego caíram inesperadamente em outro relatório, reforçando a visão de que a economia está longe de uma recessão. Ambientes de juros mais altos normalmente pressionam o ouro, que não rende juros.

O ouro é uma das commodities com melhor desempenho em 2024, com ganhos de mais de 30% até agora neste ano. O otimismo em torno do corte de taxas de juros impulsionou os ganhos mais recentes, à medida que o Fed deu início ao seu ciclo de afrouxamento no mês passado. A compra robusta por bancos centrais também tem sido um pilar de suporte duradouro para os preços do ouro.

Fonte: O Globo