População forma filas para comprar água após ameaças de facção contra comerciantes no interior do Ceará

Moradores de Banabuiú recorrem a garrafões transportados sob escolta policial; comerciantes relatam cobranças de R$ 750 por semana.

Por Gabriele Rodrigues

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Foto: Reprodução
Pessoas aguardam com garrafões azuis e recebem atendimento na rua.

A população de Banabuiú, no Sertão Central do Ceará, enfrenta dificuldades para comprar água mineral após comerciantes receberem ameaças atribuídas a uma facção criminosa. Estabelecimentos suspenderam as vendas, provocando filas entre os moradores no sábado (31).

Diante do problema, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) passou a oferecer apoio logístico ao abastecimento do município na sexta-feira (30). A população começou a adquirir os garrafões por meio do novo sistema na manhã seguinte.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a medida possibilita que os distribuidores comercializem água com segurança, com acompanhamento das forças policiais.

“A Cagece realiza a coleta dos garrafões com água nos fornecedores e os transporta até o município de Banabuiú, onde estão sendo comercializados. Essa logística conta com o aporte das Forças de Segurança para que essa comercialização seja feita com tranquilidade”, informou a secretaria, em nota.

Três suspeitos foram presos

Em 22 de outubro, três homens foram presos suspeitos de ameaçar e extorquir comerciantes de Banabuiú em nome de uma organização criminosa. A interrupção do abastecimento também atingiu uma escola municipal, que suspendeu as aulas no dia anterior por falta de água.

De acordo com as investigações, mensagens intituladas “Edital Banabuiú” começaram a circular em 19 de outubro. O conteúdo, atribuído ao Comando Vermelho (CV) e assinado pela chamada “Diretoria de Banabuiú”, estabelecia regras para a comercialização e a distribuição de água no município.

Nas mensagens, os criminosos exigiam que os comerciantes obtivessem autorização da facção para continuar vendendo água e ameaçavam aqueles que descumprissem as determinações. Há relatos de cobranças de R$ 750 semanais aos estabelecimentos.

Os três presos são suspeitos do crime de domínio social estruturado. Conforme a SSPDS, durante as ações policiais foram apreendidos seis aparelhos celulares, um revólver calibre 38, munições, um notebook e uma quantia em dinheiro. As investigações continuam em conjunto com a Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Reforço policial e abastecimento de água

O policiamento foi intensificado em Banabuiú, com a atuação de equipes do Policiamento Ostensivo Geral (POG), da Força Tática e do Motopatrulhamento. Os agentes também acompanham o transporte de água com apoio da Cagece.

O prefeito de Banabuiú, Marcílio Coelho, informou que as investigações continuam e que ainda há mandados de prisão pendentes de cumprimento. Apesar do reforço na segurança, os comerciantes permanecem receosos e evitam retomar a venda de água mineral.

“Já está cheio de polícia na rua, está cheio de investigadores, mas [os comerciantes] não estão se sentindo seguros ao ponto de voltarem a vender”, afirmou o prefeito.

Segundo o prefeito, a Cagece emprestou dois caminhões para transportar os garrafões, mas não é responsável pela comercialização da água. A solução emergencial foi definida em reunião da prefeitura com representantes da segurança pública e comerciantes.

Segundo Marcílio, a distribuição com apoio da Cagece e escolta policial ocorrerá diariamente a partir de terça-feira (3), enquanto persistirem as dificuldades de comercialização e até que a situação seja normalizada. A operação prevê o fornecimento de mil garrafões por dia, retirados de uma fonte de água mineral e transportados em veículos da companhia.

“Eu torço muito, espero que isso seja resolvido o mais breve possível. As forças de segurança estão na cidade, tem uma condição policial, ostensiva, investigativa muito considerável na cidade”, disse o prefeito.

Fonte: G1