Pescador atravessa lago repleto de jacarés durante seca no Amazonas

O pescador ribeirinho Rainilson Souza registrou em vídeo a situação do Lago do Rei, a 20 km de Manaus, repleta de jacarés da espécie jacaré-açu, que pode chegar até cinco metros.

Por Portal Giro

Em meio à seca severa no Amazonas, o pescador ribeirinho Rainilson Souza, de 34 anos, afirmou neste sábado (19) que as gravações foram feitas no Lago do Rei, próximo ao município de Careiro da Várzea, a 20 km da capital Manaus.

Nos dois vídeos gravados por Souza, diversos jacarés aparecem em bancos de areia que emergiram devido à seca na região. Segundo o biólogo Ildean Fernandes, os animais registrados são jacarés-açu, uma espécie que pode atingir até cinco metros de comprimento.

Rainilson relatou que, apesar de ter passado de barco entre os animais, não sentiu medo, embora reconheça que a situação foi perigosa. “Eu passo por ali há muito tempo. Comecei a andar nesse lago desde os 12 anos e, durante o período de seca, independentemente da intensidade, os jacarés sempre aparecem”, contou.

O pescador também mencionou que já houve um ataque de jacaré-açu a um morador da região. “Isso aconteceu há algum tempo. Ele estava pescando quando a canoa bateu em um jacaré, e o animal pegou seu braço. Ele precisou ficar internado por muito tempo”, relatou Souza.

As imagens, gravadas entre o final de setembro e o início de outubro, ganharam repercussão após serem compartilhadas nas redes sociais. Rainilson mantém uma página dedicada ao registro da fauna local e afirma que sua motivação vem do amor pela natureza.

Ildean Fernandes, biólogo especialista em crocodilianos amazônicos, explicou que o comportamento registrado nas imagens é atípico para o jacaré-açu, já que essa espécie costuma ser solitária devido ao seu comportamento territorialista. “Apesar de apresentarem algumas interações sociais, essas são mais comuns durante a reprodução e a proteção dos filhotes. Não é habitual que fiquem aglomerados dessa maneira”, explicou.

O especialista acrescentou, no entanto, que os jacarés-açu podem ser encontrados em grupo em situações específicas, como em áreas com alta concentração de alimentos ou durante períodos de seca, quando os corpos d’água se tornam escassos. “Mesmo nesses casos, não há uma estrutura social ou cooperação entre eles”, destacou Fernandes.

Além disso, ele afirmou que, em geral, os jacarés-açu não representam risco significativo para humanos, exceto na época de reprodução. “Durante esse período, os machos defendem seus territórios nas margens de rios e lagos, e as fêmeas podem se tornar agressivas para proteger seus filhotes”, explicou.

Por fim, o biólogo comentou que os animais são sensíveis a mudanças no ambiente. “Por se tratar de um animal de grande porte e bastante arisco, é provável que o barulho do motor do barco tenha os assustado, provocando a movimentação registrada nas imagens”, concluiu.

Veja a publicação no Instagram

Fonte: G1